CASO MIGUEL CANTONEIRO
Introdução
Um caso inédito
Foi
na freguesia de Santo António, na Ilha do Pico, Açores, numa tarde de
Setembro de 2005, que a SPO iniciou a investigação de um caso inédito de EI
de 3º Grau, passado há mais de 30 anos naquela ilha açoriana. Uma história
esquecida nas memórias da família e amigos da principal testemunha, Miguel
Silveira Alexandre, mais conhecido por Miguel “Cantoneiro”, infelizmente
falecido em 1998. Nessa tarde, Filipe Gomes, membro de direcção da SPO, e
Rolando Alves, tal como o primeiro, natural da ilha do Pico e apaixonado
pelos fenómenos OVNI, deslocaram-se a casa de Maria do Carmo, viúva de
Miguel Alexandre, que se mostrou completamente receptiva a uma entrevista
sobre o insólito episódio vivido pelo seu marido.
A maioria das pessoas, quando ouve este termo,
lembrar-se-á do filme de Steven Spielberg, “Encontros Imediatos de 3º Grau”,
realizado em 1977 nos EUA. Esse termo provém da classificação, da autoria de
J.Allen Hynek, destinada aos vários tipos de observações OVNI, aquando da
participação deste astrónomo americano no conhecido Projecto Livro Azul, da
Força Aérea Americana. A sua classificação, pioneira na Ovnilogia moderna,
estava dividida do seguinte modo: Luzes Nocturnas (LN); Discos Diurnos (DD);
Radar-Visuais (RV), com um bom exemplo recente no caso de 1 de Junho de
2004; Encontros Imediatos de 1º, 2º e 3º Grau. Os encontros de primeiro grau
tratam-se da observação de um fenómeno OVNI a menos de duzentos metros da
testemunha, nos de segundo tem de haver vestígios físicos ou alterações do
ambiente, e finalmente nos de terceiro grau há a observação de um OVNI em
conjunto com seres, geralmente de aspecto humanóide. Era exactamente isso
que acontecia no final do filme de Spielberg, que, aliás, teve como
consultor o próprio Hynek, e também aquilo que Miguel Alexandre teve a
oportunidade de viver.
Geografia do local
O caso que a SPO agora vem expor publicamente, teve lugar
na pequena localidade de S.Miguel Arcanjo, pertencente à freguesia e
concelho de S.Roque do Pico, um dos três que compõem a ilha do Pico, nos
Açores. Os Açores são um arquipélago de nove ilhas, localizado a meio do
Atlântico Norte, entre o velho e novo mundo, e uma das duas regiões
autónomas de Portugal. Geologicamente têm origem vulcânica e encontram-se na
confluência das três importantes placas tectónicas Euro-Asiática, Americana
e Africana. O
arquipélago
está dividido em três grupos: O grupo oriental, composto pelas ilhas de
Santa Maria e São Miguel, o grupo central, composto pela Terceira, Graciosa,
São Jorge, Faial e Pico, e o grupo ocidental, composto pelas Flores e Corvo,
a ilha mais pequena dos Açores. Por sua vez, o Pico, é a segunda maior ilha
dos Açores, com um total de 448km2, 42km de comprimento e 15km de largura
máxima. A ilha, com uma população de pouco mais de 15000 habitantes, tem a
origem do seu nome na montanha do Pico, um estratovulcão único no território
português, com uma altitude de 2351 metros, sendo o ponto mais alto de
Portugal.
A observação
Miguel
“Cantoneiro”, assim conhecido por ser um dos cantoneiros do município de São
Roque, era casado com Maria do Carmo, ambos naturais de São Miguel Arcanjo,
onde viviam na altura, com as suas três filhas. O casal possuía ainda várias
terras na encosta acima da povoação, entre as quais uma roça de 15
alqueires, numa zona mais plana e rodeada de terrenos com vegetação.
Terrenos de lenha, como a população local lhes chama. Foi nessa roça, nesse
terreno de pasto, que Miguel teve a oportunidade de observar um estranho
objecto a pousar e dois pequenos “homenzinhos” a sair do mesmo. Numa tarde
de verão de 1973, a data mais provável para o acontecimento, Miguel
Alexandre tinha-se deslocado a esse terreno, depois de, no dia anterior, ter
cortado a erva de pasto, com o objectivo de terminar o trabalho, arrancando
uns silvados que se encontravam no limite mais baixo da propriedade. Estava
um dia típico de verão, sem haver vento digno desse nome. Foi por isso que
um som como uma “zoadinha”, de deslocação de ar, lhe chamou a atenção,
achando estranho, uma vez que o tempo estava tranquilo. Olhou para trás, na
direcção do som, e viu então um objecto, com a forma de uma peneira, e de um
azul-esbranquiçado, aproximando-se do meio do seu terreno e pousando no
mesmo. O objecto parecia um espelho e reflectia a luz solar. Quando pousou a
meio do pasto, a erva cortada, que repousava sobre o solo, foi afastada para
fora do perímetro ocupado por aquele estranho aparelho. Miguel Alexandre,
apesar do temor, manteve-se sempre no local a observar o que sucedia.
Abriu-se uma porta a meio do objecto e de lá saiu uma pequena escada de três
degraus, pela qual desceu um pequeno homenzinho, em tudo semelhante a um
típico anão humano. Seguindo este primeiro ser, saiu um segundo de aspecto
muito semelhante. Não traziam nada nas mãos, possuíam umas barbichas na face
e tinham roupagens justas. Falavam um com o outro numa linguagem que Miguel
não conseguiu entender. Tinham um comportamento bastante familiar, chegando,
por exemplo, a colocar as mãos atrás das costas. Não ficaram indiferentes à
presença de Miguel Alexandre, que observava desde o início todo o incidente;
pelo contrário, olharam-no, mas não lhe deram importância. Pouco depois
voltaram a entrar na sua peneira voadora e partiram exactamente na direcção
de onde tinham vindo, ou seja, do lado do mato, na direcção da encosta da
serra, para sul. O aparelho, ao elevar-se, provocou o mesmo afastamento da
erva cortada que tinha acontecido aquando da sua aterragem. Miguel
Alexandre, depois de findo o dia de trabalho, voltou para a aldeia pela
canada que sempre tomava, encontrando pelo caminho um colega cantoneiro, que
tinha estado a trabalhar num terreno um pouco mais acima do terreno de
Miguel.
A segunda
testemunha
Foi
então que o amigo lhe contou que, enquanto trabalhava na sua pequena
plantação de inhames, planta comummente cultivada nos Açores, ouviu um vento
fora do comum e viu as árvores a mexerem-se, achando isso muito estranho
pois não fazia vento naquela tarde. Miguel Alexandre, percebendo que não
tinha sido a única testemunha, contou-lhe então que não só tinha ouvido o
som, como tinha visto a sua origem, descrevendo-lhe o seu insólito encontro.
A notícia mais se espalhou quando os dois chegaram junto à Ermida de
S.Miguel Arcanjo, onde, ao fim do dia, o povo se costumava reunir para pôr a
conversa em dia. Nessa noite Maria do Carmo de nada soube, pois Miguel
Alexandre não lhe quis causar medo de ir ao local.
Reunindo pistas
No local onde o objecto pousou a erva não sofreu nenhuma
secagem posterior, segundo nos informou Maria do Carmo, fenómeno que por
vezes ocorre em outros casos de pouso de OVNI. Durante a observação Miguel
Alexandre ainda se lembrou de tentar ver o outro lado do aparelho, para
confirmar se era uniforme, mas o medo foi mais forte que a curiosidade. Foi
forte, mas não o suficiente para fazê-lo fugir logo ao início da observação.
O facto de ter havido uma segunda testemunha daquele vento anormal provindo
do objecto, mesmo que não tenha observado o OVNI em si, contribuiu para que
a população local acreditasse na veracidade da história de Miguel Alexandre.
E é até possível que Miguel não contasse a sua experiência se o colega não
corroborasse parte da mesma. Quantas outras histórias semelhantes não
andarão esquecidas e escondidas devido ao medo do ridículo que todas as
testemunhas reais costumam ter? Esta história, esta vivência de Miguel
Alexandre ficou então incluída no rol de histórias de vida deste homem do
povo, igual a tantos outros. Era uma história que costumava contar aos
netos, ávidos de aventuras, de preferência fora do comum. Mas será que o que
ele viu foi algo fisicamente real, tal como todo o ambiente local onde a
cena se desenrolou, ou não passou de uma alucinação de algum tipo? É algo
difícil de concluir. Podemos especular um pouco sobre a influência da
natureza vulcânica do local, através das propriedades electromagnéticas das
rochas basálticas, na mente humana, tal como a actividade solar, que se
pensa poder influenciar-nos. Mas qual das hipóteses será mais realista?
Vários factos defendem a hipótese de que simplesmente, o que Miguel
Alexandre testemunhou, passou-se na realidade como um fenómeno físico, tal
como toda a realidade que nos rodeia no dia-a-dia. Esses factos são,
nomeadamente, o testemunho do seu colega que trabalhava mais acima e várias
corroborações, as quais serão aprofundadas mais à frente. Partindo então do
princípio que o OVNI e os seres eram completamente reais, porque teriam
pousado o seu engenho voador naquele local específico? As características do
terreno podem dar-nos uma resposta satisfatória. Segundo Maria do Carmo, a
roça de 15 alqueires fica numa área mais plana da encosta que vai sempre
subindo desde o mar à serra, estando, como já foi dito, rodeada de terrenos
de lenha. Sendo o melhor sítio para algum aparelho voador aterrar nas
redondezas, tal como, por exemplo, um helicóptero, ou neste caso um OVNI com
as características observadas por Miguel Alexandre. E como se deslocava o
objecto? Rolando Alves, durante a conversa com Maria do Carmo, deu a ideia
de funcionar através de algum tipo de jacto de ar, pois as descrições apoiam
uma hipótese dessas. E de onde vinha? Essa é uma da questões mais difíceis
de responder, mas à qual, em Ovnilogia, há a tendência de responder logo ao
início, dando preferência à origem extraterrestre. Mas na verdade não há
nada que nos faça crer que seja obrigatoriamente de origem extraterrestre,
aliás vários factores parecem apoiar uma origem mais terrena. Mas voltando
ao local do acontecimento, e mais uma vez partindo do princípio que a
experiência foi completamente real, podemos chegar a conclusões muito
interessantes. Se a roça de 15 alqueires era e continua a ser a melhor área
plana
para aterragem da zona,
então não faria sentido o objecto ter vindo de muito longe, pois nesse caso
teria pousado noutro sítio qualquer. A sensação que o seu comportamento nos
transmite, é a de estar em viagem e ter feito uma pequena paragem naquela
região. Mas a viagem não seria feita de forma desordenada, seguindo qualquer
direcção, nesse caso o objecto não teria voltado ao ponto de partida. Dá-nos
a entender que seguia uma espécie de auto-estrada que passava pela zona e
que saiu por momentos da mesma, escolhendo o melhor sítio para fazer uma
pequena pausa. Como se a roça de Miguel Alexandre e Maria do Carmo fosse uma
estação de serviço... Não passa tudo de pura especulação. A realidade total
será sempre muito difícil de descobrir.
Arkansas,
EUA – 20/03/1950
De entre os vários milhares de casos OVNI investigados
pelo Projecto Livro Azul, um número apreciável dos mesmos sobreviveu ás
tentativas de identificação, em muitos dos casos, forçada, que a Força Aérea
Americana tentava encontrar para os relatórios que lhes chegavam. De entre
os casos classificados como Não Identificados do Livro Azul, existe um, um
dos mais conhecidos, que vai de encontro, e acaba por ser uma correlação com
o aparelho observado por Miguel Alexandre nos anos setenta. Mais de vinte
anos antes da observação na Ilha do Pico, mais precisamente na noite de 20
de Março de 1950, o piloto, co-piloto e tripulação de um voo entre Memphis e
Little Rock, no estado norte-americano de Arkansas, observou um objecto
circular, com uma luz no topo e cerca de 9 a 12 luzes na parte inferior. Na
altura encontravam-se a nordeste de Stuttgart, passando o OVNI na sua
frente, deslocando-se a velocidade elevada de sul para norte. A semelhança
entre a forma dos objectos observados em cada um destes casos, o caso de
1950 e o de Miguel Alexandre, é notória. Temos então um ponto comum entre
dois avistamentos de época e locais distintos. A forma tipo “peneira”, como
descrita no caso açoriano, não é comum na casuística conhecida a nível
mundial. Aliás, o único caso que encontrei em que é descrita uma forma
idêntica, foi este que aqui acabo de expor. Claro que isto não significa que
os objectos observados nos dois casos eram o mesmo, ainda mais tendo
ocorrido em locais tão distantes entre si, tanto no tempo como no espaço.
Sabemos apenas que eram muito semelhantes, e que essa semelhança pode
indicar-nos uma possível origem comum.
1973 - O ano dos humanóides
Perguntámos a Maria do Carmo se fazia alguma ideia do ano
em que teria ocorrido a experiência insólita do seu falecido marido, ao que
nos respondeu negativamente. Apenas sabia que tinha sido durante o verão.
Mas com um exercício conjunto de exclusão de partes, eliminando os anos
impossivéis, chegámos à conclusão que só poderia ter sido no verão de 1973.
E há um factor, que não só vem confirmar-nos o ano, como vem apoiar a
veracidade do testemunho de Miguel Alexandre. O ano de 1973 testemunhou uma
vaga OVNI, tal como outras vagas ocorridas em anos anteriores, vaga essa que
não só foi OVNI como teve um grande índice de EI de 3º Grau, chegando mesmo
a ser apelidado de o “Ano dos Humanóides”. Essa maior incidência de casos
centrou
-se
sobre os Estados Unidos, apanhando de surpresa muitos, pois apareceu numa
altura em que os relatos de OVNI tinham passado a ser muito mais condenáveis
e desprezados, devido à publicação do famoso Relatório Condon, um estudo
científico sobre os OVNI que chegou a conclusões contrárias a uma origem
física e real da fenomenologia OVNI. Claro que esse relatório está envolto
numa certa polémica, mas o resultado da divulgação das suas conclusões, não
só originou o encerramento em 1969 do Livro Azul, como fez com que muitos
jornais deixassem de publicar tantas notícias sobre OVNI. Assim, a vaga de
1973 aparece isolada, numa altura desfavorável a relatos de OVNI. No seu
livro The Hynek UFO Report, editado em Portugal pela Portugália, no final
dos anos setenta, Allen Hynek transmite-nos de forma clara o que ocorria na
época e o porquê da formação do CUFOS (Centro de Estudos OVNI): “A
súbita vaga de relatórios em 1973 constituiu surpresa para mim e para os
meus colegas. Assim, e porque não se estava fazendo nada oficialmente, nós
decidimos organizar o Centro para Estudos sobre OVNIs, o qual serviria de
centro para os cientistas e outros indivíduos treinados que tivessem
interesse em aprender mais acerca dos OVNIs, e em fazer algo por esse
fenómeno”. Mais à frente, ainda sobre o mesmo tema, diz-nos o seguinte:
“Contudo, os OVNIs aparentemente não
leram o Relatório Condon. Quando em Outubro de 1973 surgiu uma vaga de
relatórios sobre OVNIs nos Estados Unidos, a mão fria do Relatório Condon
foi finalmente retirada pelo próprio fenómeno OVNI”. Concluímos daqui
que o episódio vivido por Miguel Alexandre em 1973 não aparece isolado, mas
sim integrado num contexto, na vaga OVNI e de EI de 3º Grau desse ano, sendo
mais um factor favorável à veracidade da sua observação.
1973 em Portugal
Um ano calmo
E por cá, em Portugal? O que é que
aconteceu de avistamentos OVNI nesse ano? Houve algum semelhante? Temos
sempre que ter em conta que, no que toca a relatórios de testemunhos OVNI,
estamos sempre a lidar com aquilo que é conhecido publicamente, e mesmo
assim, muito do que é conhecido publicamente pode estar deturpado. Estamos
portanto a lidar sempre com pedaços de informação, de peças de um puzzle até
agora muito incompleto, e portanto nunca podemos afirmar nada a pés juntos.
No que toca aos casos conhecidos publicamente em Portugal, do ano de 1973,
não há muitos. Foi um ano fraco em OVNI, mas pelo meio dos poucos relatos,
há alguns muito interessantes e que parecem trazer mais algumas pistas ao
caso aqui publicado. Pelos motivos expostos nas linhas anteriores, dizer que
foi um ano fraco é muito relativo, pois é uma conclusão dependente dos
relatos conhecidos. Logo, até pode ter ocorrido um número importante de
avistamenos. Esse também foi um ano importante para a história da Ovnilogia
portuguesa, pois foi o ano da formação do CEAFI – Centro de Estudos
Astronómicos e Fenómenos Insólitos, que teve um papel importante no
desenvolvimento da Ovnilogia em Portugal. Estávamos em vésperas da Revolução
de Abril, que viria a trazer a democracia ao nosso país e a dar um grande
impulso ao estudo e relatos de OVNI.
Outro EI de 3º Grau...
O caso mais significativo, exceptuando o do próprio
Miguel Alexandre, ocorrido em Portugal, no ano de 1973, foi um EI de 3º Grau
que aconteceu em Alijó, numa noite de Setembro desse ano. Nessa noite calma
de verão as três testemunhas do encontro viajavam de carro na estrada entre
Alijó e Pópulo e, pouco depois de passarem a localidade de Alijó,
depararam-se com duas figuras humanóides, deitadas de costas ao lado uma da
outra, na berma da estrada, e vestidas com um fato completo que cobria todo
o corpo, tendo a cabeça coberta por uma espécie de capacete com uma viseira
rectangular na zona dos olhos. Mas o insólito dessa viagem não tinha
começado aí. Cerca de hora e meia antes, tinham observado um objecto
discoidal deslocando-se em voo de sul para norte. Na altura ouviram um
zumbido em conjunto com a observação, som esse que voltariam a ouvir pouco
antes do encontro com as figuras humanóides. Mas antes de terem notado as
estranhas personagens na berma, a sua atenção tinha sido atraída para um
pequeno objecto cilindríco e luminoso que se encontrava a meio da estrada.
Foi então, quando o condutor tentava não passar por cima do mesmo, que
notaram duas luzinhas vermelhas na berma esquerda. Essas luzinhas
localizavam-se na ponta de duas
antenas
que, por sua vez, saíam de objectos que as ditas criaturas traziam às
costas. As figuras tinham cerca de 1,50 metros de altura e, quando passaram
com o carro a apenas uns dois metros
das mesmas, puderam ouvir os sons guturais de cadência rápida que produziam.
Logo em seguida levantaram-se rapidamente do solo, de um modo rígido,
segundo as testemunhas, como se fossem tábuas, apagando-se as duas luzinhas
vermelhas. As testemunhas nunca pararam a viatura, sendo toda esta descrição
baseada numa observação de duração muito breve. É um dos mais interessantes
casos de EI de 3º Grau ocorridos em Portugal e tem alguns pontos em comum
com a observação de Miguel Alexandre, nomeadamente o número de indivíduos
observados. É também referida a audição de um zumbido, embora a natureza do
mesmo não pareça estar relacionada com a “zoadinha” do caso açoriano. O
objecto observado no caso de Alijó, para além de não ter sido visto em
conjunto com as figuras humanóides, é distinto do observado em S.Miguel
Arcanjo. Existem portanto alguns pontos em comum entre os dois casos, mas
não suficientes para nos fazer crer que exista uma relação directa entre si.
Açores – OVNIs detectados em
radar?
E nos Açores, que aconteceu em 1973? Que seja do meu
conhecimento, para além do caso que agora expomos, não existe mais nenhum
ocorrido nesse ano que seja do conhecimento público. Excepto um. Navegando
pela selva de informação, muita dela duvidosa, que é a Internet, encontrei
uma informação interessante de um tal Henry Deichman, que dizia ter estado
ao serviço na Força Aérea Americana, como controlador aéreo, na Base das
Lages, precisamente em 1973. Ele estava a trabalhar como Controlador do
Radar de Aproximação do Aeroporto das Lages, e na altura do conflito
isrealoárabe, em que a USAF estava a apoiar Israel, foi detectado nas Lages,
durante algumas semanas, cerca de um incidente OVNI por dia. Chegou-se mesmo
a enviar aviões da US Navy P3 Orion na tentativa de identificar os OVNI, o
que se revelou completamente inútil. Os OVNI seguiam os aviões durante o dia
e aproximavam-se da pista de descolagem durante a noite. Chegaram a enviar
caças F-4 na perseguição do objecto, mesmo sabendo que este se deslocava a
uma velocidade muito mais rápida. É uma informação bastante impressionante
de episódios ocorridos em território português, mas que provêm de fontes
difíceis de confirmar. A ser fidedigno este relato, estará de certo modo
relacionado com o EI de 3º Grau de Miguel Alexandre? É possível. Mais uma
vez este caso não aparece isolado, tendo mais uma pista a seu favor, a favor
de uma natureza física e real para o mesmo.
Conclusão
Considerações Finais
Neste texto que aqui vos faço chegar tentei transmitir de
forma o mais clara possível os factos sobre o episódio insólito vivido por
um simples homem de uma aldeia insular. É um caso que estava esquecido e
que, na minha opinião, tem um grande valor de estudo, mesmo tendo em conta o
desaparecimento da principal testemunha. É um caso que continua em
investigação, podendo encontrar-se sempre novos pormenores, factos e até,
quem sabe, novas testemunhas de locais distintos. Chegamos à conclusão que o
caso não aparece num contexto isolado, mas sim num cenário que apoia uma
realidade física do fenómeno observado. Todos estes factores tornam o Caso
Miguel “Cantoneiro” um dos mais interessantes ocorridos em território
português.
Fevereiro de 2006
Texto: Filipe Gomes
Investigação: Filipe Gomes e Rolando Alves