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Observação em Abrantes

 

Data: 02 para 03 de Julho de 2004

Local: Esteveiras, Freguesia de Barrada, Concelho de Abrantes

Hora: Incerta, provavelmente por volta da meia-noite

Testemunhas: Miguel Vasco, 31 anos, natural de Lisboa

                        Flávio Areias, 20 anos, natural de Abrantes

                        Elementos dos Bombeiros Voluntários de Mação

                        Agentes da GNR

                                        

Introdução:

 

Através dos esforços do investigador Filipe Gomes, a SPO teve conhecimento de um relato ocorrido no Verão de 2004, em Abrantes. Aproveitando uma deslocação da SPO a Castelo Novo para a “II Expedição à Serra da Gardunha”, encontrámo-nos com as testemunhas, no local da observação, onde recolhemos os seguintes dados.

 

Os Factos:

 

De acordo com os relatórios dos Bombeiros Municipais de Abrantes, a observação deu-se na noite de 2 para 3 de Julho de 2004 na zona de Esteveiras, freguesia de Barrada, Concelho de Abrantes, Distrito de Santarém. As duas testemunhas, pertencentes ao citado corpo de bombeiros,  estavam dentro do autotanque, no rescaldo de um incêndio na região, à espera da desmobilização quando decidiram sair da viatura para cumprimentar colegas seus dos Bombeiros Voluntários de Mação que tinham entretanto chegado.

 

Ao sair do carro, Miguel Vasco olhou casualmente para o céu e reparou que no sentido Sul-Sudoeste se desloca uma luz em linha recta, de cor alaranjada que alternava suavemente na sua totalidade entre o laranja escuro e o claro, de aparência semelhante a Vénus, mas maior e extremamente mais brilhante. A luz parou durante alguns momentos por cima das testemunhas. Miguel estima que tenham sido cerca de 3 segundos, tendo posteriormente desaparecido verticalmente a grande velocidade. Durante toda a observação não foi constatado nenhum tipo de ruído ou som e uma vez que a viatura de bombeiros estava desligada, não foi possível constatar eventuais situações anómalas, como perturbações nas luzes da viatura, no rádio ou no motor.

 

Entrevistado separadamente, Flávio Areias confirmou no geral a descrição dada pelo seu colega. Recorda-se que no dia em questão, ao sair do autotanque, foi alertado por Miguel Vasco para uma luz que este estaria a observar no céu. Foi então que Flávio testemunhou igualmente uma luz intensa de cor alaranjada, com tons  vermelho e branco que, após se manter imóvel, desapareceu verticalmente até que desapareceu.

 

 Outras testemunhas

 

Ambas as testemunhas recordam que o evento foi observado por elementos da corporação dos Bombeiros Voluntários de Mação e por elementos da GNR. Infelizmente não se recordam dos nomes dessas testemunhas.

ASPO, neste momento, está a desenvolver esforços no sentido de localizar as restantes testemunhas.

 

Discrepâncias

 

Não obstante no geral os dados serem coincidentes, foram constatadas algumas discrepâncias entre os dois relatos. Enquanto para Miguel Vasco a observação durou no total cerca de 45 segundos e o objecto encontrou-se imóvel por cima das suas cabeças durante cerca de 3 segundos, para Flávio Areias a observação total durou cerca de 10 minutos e o objecto manteve-se parado cerca de 5 minutos. Quanto à descrição do objecto, para Miguel Vasco este era de cor alaranjada, alternando entre o escuro e o claro, enquanto que para Flávio Areias este era de cor laranja, com tons de vermelho e branco.

 

Todavia baseados nas conversas individuais com as testemunhas, cremos que ambas estão a relatar o mesmo acontecimento e estão a ser absolutamente genuínas. As variações de tempo entre os relatos são perfeitamente normais. De facto a experiência demonstra que é na percepção de tempo entre pessoas diferentes que as discrepâncias são maiores, o que aliado ao facto de ter decorrido mais de um ano desde a ocorrência, justifica plenamente as diferenças relatadas. Por seu turno, as diferenças na descrição da cor são também totalmente aceitáveis, na medida em que a percepção da cor também não é uniforme e no geral o que para um pode ser laranja escuro, para outro pode ser um “tom de vermelho”. Não vemos portanto qualquer indício de fraude ou má fé nas descrições das testemunhas.

 

 

Considerações Finais

 

Desvalorizadas as discrepâncias nos relatos, que neste caso são normais, estamos convictos de que os intervenientes testemunharam algo que não pode ser rapidamente identificado. As explicações mais prováveis como aviões, Vénus, satélites ou “Iridum Flares”, não parecem explicar o caso na medida em que não se podem deslocar e depois parar sobre determinado local. Inconsistente com aviões ou satélites e Iridium Flares encontramos não só o tamanho como também as cores relatadas. Apesar de Vénus poder a determinada altura se apresentar avermelhado, de acordo com pesquisa efectuada[1] ele só ficou visível às 04h30 do dia 3 a Este-Nordeste, o que exclui esta hipótese. Júpiter era também visível encontrando-se a descer junto ao horizonte a Oeste com uma magnitude de -1.8, o que também afasta a possibilidade de ter havido alguma confusão com este astro. Astronomicamente falando apenas se prefigura uma possível explicação, a de ter havido uma confusão com a estrela Antares na constelação de Escorpião, que se encontra a Sul, detentora de uma magnitude de 1.08 e que apresenta cor avermelhada; contudo esta hipótese parece extremamente improvável, na medida em que muito dificilmente duas testemunhas confundiriam esta estrela com o objecto. Por outro lado, aquela nunca poderia efectuar o comportamento atribuído a este.

 

Não foi registado igualmente nenhuma actividade sísmica que pudesse provocar os fenómenos luminosos associados a este fenómeno natural.



[1] Programa Stellarium, versão 0.7.1

 

 

 

Testemunho em Vídeo

 (clique no vídeo para aumentar)

 Testemunha: Miguel Vasco

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Testemunha: Flávio Areias
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