Artigos de Ovnilogia
O FENÓMENO DAS
ABDUÇÕES
-2ª Edição-
-Revista e
Actualizada-
por
Nuno A. Montez da
Silveira*
Índice:
3.3.2. Procedimentos Informacionais
6.2. Corroboração
Independente
6.3.1.2.
Mecanismo de Detecção
6.3.1.3.
Mecanismo de Controlo de Mente
7. Prevenção e
Antecipação de Abduções
8.2. Sindroma da Falsa
Memória
8.3. Imagens
Hipnagógicas ou Hipnopompicas
8.4. Disfunção do
Lóbulo Temporal
O ano de 1961[1]
viria a provocar uma mudança radical na compreensão e formulação do fenómeno
OVNI. 1947 marca o início da chamada “Era Moderna” da Ovnilogia. Foi com a
observação de Kenneth Arnold a 24 de Junho, que o mundo ocidental foi
alertado para a presença de estranhos aparelhos que sobrevoavam os céus,
aparentemente impunes. Nessa altura o fenómeno apresentava principalmente
três vertentes sobre as quais os investigadores se debruçavam, a saber:
Os avistamentos;
observações de aparelhos de forma circular, de aparência metálica que
reflectiam a luz solar e realizavam manobras impossíveis para a tecnologia
da época.
As
aterragens; com o número de avistamentos aumentando gradativamente, começam
sobretudo após a grande vaga de 1954 em França relatos desses objectos
pousados no solo. Muitos deles deixando os denominados “ninhos do disco” com
certas características físicas particulares. Começam também a aparecer mas
ainda muito timidamente, os primeiros encontros com humanóides.
Os contactos; afirmações
de certos indivíduos que relatavam como tinham sido escolhidos pelos “nossos
irmãos cósmicos” para serem os embaixadores na Terra da boa vontade
alienígena. Frequentemente apoiados em fotografias, a maioria de veracidade
duvidosa, criavam verdadeiras legiões de crentes, misturando frequentemente
o mito messiânico com a presença extraterrestre. Destacam-se, George Adamski,
Daniel Fry, Howard Menger, Billy Meier, entre outros.
Este estado de coisas
que se manteve durante catorze anos, seria totalmente modificado quando na
noite de 19 para 20 de Setembro de 1961, o casal Hill viveria uma
experiência que não se encontrava padronizada em qualquer observação OVNI.
Segundo regressões hipnóticas conduzidas pelo Dr. Benjamin Simon dois anos
após a experiência, apurou-se que Barney e Betty Hill tinham sido levados
contra a sua vontade para bordo duma nave extraterrestre, onde foram
sujeitos a observações e exames de carácter médico. A Betty foi introduzida
uma agulha na barriga, ao que denominaram “teste de gravidez” e a Barney
foi-lhe retirado esperma. Foi com a publicação desta história no livro de
1966 “The Interrupted Journey” de John G. Fuller, que mais e mais casos
vieram a público, deparando-se a comunidade de investigadores com uma nova
vertente, o fenómeno das abduções.
Todavia a recepção desta
nova vertente não foi pacífica. De facto, J. Allen Hynek um dos maiores
investigadores de OVNIs de todos os tempos, olhava com extrema desconfiança
para as abduções, considerando que a solução para o fenómeno OVNI se
encontrava antes na análise dos avistamentos. Considerava as abduções como
histórias inventadas destinadas a dar fama e dinheiro a quem as divulgava.
Donald Keyhoe numa
posição semelhante, considerava que a investigação das abduções iria alienar
os investigadores, desacreditando o fenómeno OVNI.
Por seu turno, David
Jacobs não conseguindo inserir as abduções nas vertentes clássicas do
fenómeno OVNI começou numa primeira fase por as desconsiderar. Contudo à
medida que os casos se multiplicavam e as investigações revelavam um
conjunto de evidências ainda mais fortes, optou por estudar o fenómeno,
tornando-se hoje em dia um dos nomes incontornáveis na investigação.
Antes de qualquer estudo
aprofundado sobre a matéria há que proceder a uma tentativa de delimitação
do fenómeno, essencial, se quisermos ter um ponto de partida para a sua
investigação. O grupo americano CUFOS (Center for UFO Studies) dá-nos a
seguinte definição:
“Sujeito que é levado
contra a sua vontade, do seu ambiente terrestre por seres não humanos. Os
seres têm de levar o sujeito para um espaço fechado, de aparência não
terrestre, que o indivíduo assume ou sabe ser uma nave espacial. Neste
local, o sujeito tem de ser submetido a uma examinação e/ou a uma
comunicação (verbal ou telepática) com as entidades. Estas experiências
podem ser lembradas conscientemente ou por intermédio de métodos de
concentração focada (por exemplo hipnose). -
(o sublinhado é meu)
Deste modo, segundo a
CUFOS, para haver uma abdução têm de ocorrer os seguintes pressupostos:
.Intervenção de seres não terrestres
.Participação não
voluntária do sujeito
.Transportação para um local não terrestre
.Examinação e/ou comunicação (verbal ou telepática) com as entidades
O investigador britânico
Nick Pope avança com uma outra definição. Para ele abdução é: “Um
encontro de um humano com inteligências não humanas[2]”.
Defendendo uma concepção mais abrangente, na sua opinião para haver uma
abdução, esta não tem de ser necessariamente contra a vontade do sujeito.
Apresenta as possibilidades de o sujeito dar o seu consentimento por medo ou
por mera curiosidade. Aponta ainda como falhas na definição da CUFOS o facto
de esta dar como requisitos essenciais uma natureza extraterrestre aos
“abdutores” e a exigência duma nave espacial. Nave, conceito que como
escreve, apenas aparece no Sec. XIX nas obras de Júlio Verne e H. G. Wells,
sendo que na sua opinião o fenómeno das abduções tem uma natureza muito mais
antiga.[3]
Válido como é qualquer
iniciativa de enquadramento do fenómeno, esta definição deve ser contudo
evitada, não só porque da mesma não se divisa qual a natureza do fenómeno
como se apresenta demasiado ampla, sendo deste modo uma fórmula vazia. Se
por um lado não é tão restringedora e fechada como a da CUFOS, padece no
entanto de concretização, pelo que nesta definição enquadrariam-se não só as
experiências dos “contactados”, distintas como são das das abduções, como
também as observações classificadas como superiores ao 3º grau, utilizando a
escala de Hynek, o que não é desejável. De salientar contudo que mesmo um
encontro realizado sobre coacção psicológica, vulgo medo, é realizado contra
a vontade real do sujeito. Quanto a encontros por mera curiosidade, estas
estão já definidas na escala de Hynek como “Encontros Imediatos”. Parece-me
que o fenómeno das abduções tem não só uma natureza distinta, como também um
outro propósito, que cabe neste trabalho tentar descortinar.
Por outro lado e
discordando das observações de Nick Pope, a definição da CUFOS não apresenta
como essencial a existência duma nave espacial. Afirma sim, que essa é a
percepção dada ou entendida pelo sujeito passivo da experiência. E a verdade
é que na grande maioria dos casos o local da abdução é descrito como sendo
uma nave espacial, quer o seja verdadeiramente ou não. A definição que a
CUFOS dá é antes, “espaço fechado, de aparência não terrestre”. A
outra crítica, a de que dá uma natureza extraterrestre aos “abdutores” é
também a meu ver incorrecta. O termo utilizado é “seres não humanos” que
tanto se pode aplicar a seres extraterrestres como não.
As críticas que devem no
entanto ser feitas à definição avançada pela CUFOS são nomeadamente o facto
de pressupor não só uma natureza física do fenómeno, ou seja, uma deslocação
factual de um local (terrestre) para um outro (não terrestre), como também o
de pressupor que por detrás do fenómeno se encontra uma inteligência não
humana que interage. Desconsidera totalmente, explicações alternativas, mais
ortodoxas é certo, mas não necessariamente erradas, como por exemplo: o
Trauma do Parto, Imagens Hipnagógicas e Hipnopompicas, ou pura e
simplesmente, fraudes.
Parece-me então e tendo
em conta os perigos da excessiva conceptualização e limitação, própria de
qualquer definição, que nenhuma destas definições deve ser adoptada de
momento. Qualquer definição tentada terá de abranger todas as
características nesta exposição apresentada, depois de analisadas as demais
vertentes do fenómeno. Contudo e apesar das criticas salientadas, dever-se-à
ter como ponto de partida a definição da CUFOS, por ser esta a que
representa a opinião maioritária dos ovnilogistas.
Distinto que é o
fenómeno das abduções dos restantes encontros imediatos[4],
teve a comunidade ovnilógica necessidade de encontrar um termo que
descrevesse correctamente este novo cenário. Se é certo que o primeiro caso
se deu no Brasil, foi nos Estados Unidos que o fenómeno ganhou maior
dimensão, não só devido à publicidade que os meios de comunicação lhe deram,
como também ao extensivo trabalho que os ovnilogistas americanos deram ao
fenómeno. Seria Budd Hopkins com o seu livro de 1981 “Missing Time”, o
pioneiro na investigação deste tipo de alegações. O primeiro livro ainda que
reservado nas suas conclusões, foi no entanto ousado por pela primeira vez
afirmar a veracidade do fenómeno, como também a sua ocorrência num número
mais vasto do que o pensado. Ao seu trabalho outros se seguiriam, como o
Prof. David M. Jacobs com o seu livro “Hidden Life” de 1992 e John Mack em
1994 com “Sequestro”.
Foram estes
investigadores os primeiros a utilizar o termo de “abdução”, que como refere
Luís Aparício no seu texto introdutório[5]
ás abduções, afirma, dos diversos sentidos médicos e filosóficos, ter esta
palavra em inglês principalmente uma conotação com a ideia de rapto,
sequestro, ser-se levado a contra gosto. Na realidade os dicionários
ingleses, no sentido que a palavra nos interessa, definem-na como:
“1-The act of abducing or abducting; a
drawing apart; a carrying away. 2-The wrongful, and usually the forcible,
carrying off of a human being; as, the abduction of a child, the abduction
of an heiress.[6]”
Em Portugal, a palavra
foi importada e traduzida por abdução, tendo sido acolhida pela maioria dos
investigadores lusos[7],[8].
Mas será esse o termo que deverá ser aplicado?! Ao contrário do que sucede
nos países de expressão inglesa, a palavra portuguesa abdução não se refere
ao acto de levar alguém a contra-gosto, tendo apenas dois sentidos; um no
sentido médico, como a “acção dos músculos abdutores” e outra no sentido
filosófico, como um “silogismo cuja conclusão é apenas provável por falta de
certeza da premissa maior[9]”.
Ora claro se torna que na pureza da palavra, esta não pode ser aplicada em
concreto ao fenómeno que nos cabe analisar. Restam-nos portanto, outras duas
palavras, que aparecem por vezes como tradução do termo “abduction”,
nomeadamente “sequestro[10]”
e “rapto[11],[12]”.
De acordo com o artigo
158º do Código Penal Português, alguém comete o crime de sequestro, quando:
“detiver, prender, mantiver presa ou detida outra pessoa, ou de qualquer
forma a privar da liberdade”.
Define o Código no seu
artigo 160º, o crime de rapto como “Quem, por meio de violência, ameaça
ou astúcia, raptar outra pessoa com a intenção de: a) submeter a vitima a
extorsão; b) cometer crime contra a liberdade e autodeterminação sexual da
vítima, c) obter resgate ou recompensa, d) constranger a autoridade pública
ou um terceiro a uma acção ou omissão, ou a suportar uma actividade.”
Posto isto, cabe
averiguar se algum dos termos acima descritos comporta o cenário de abdução.
Examinando o termo
“rapto”, se é certo que apresenta algumas conexões com as “abduções”,
nomeadamente na aliena b[13],
que refere à restrição da liberdade de uma pessoa, assim como da sua
autodeterminação sexual, ou seja, de escolher o parceiro com quem deseja ter
relações sexuais, não me parece no entanto, que seja o termo que deve ser
aplicado. Especialmente porque neste tipo de crime, o objectivo é cometer o
crime contra a liberdade e autodeterminação sexual. Não me parece que
seja este o intuito principal dos perpetradores (até porque nem sempre ele
ocorre), mas antes, apenas uma consequência necessária do fim último que
desejam alcançar. Por último, se é certo que a maioria dos sujeitos são
levados a contra gosto, não me parece que haja maioritariamente violência
física. Na maioria das vezes, como iremos analisar, os sujeitos encontram-se
paralisados sem capacidade de resistir, sendo transportados para o local dos
exames. Se é certo que tal é qualificado como coacção física ou vis absoluta
(numa terminologia jurídica), não implica violência física contra a pessoa.
Por outro lado, raros são os casos onde uma ameaça directa é efectuada,
assim como o recorrer a astúcia.
A palavra “sequestro”
por outro lado, é suficientemente abrangente e não excessivamente ampla,
para se poder incluir o fenómeno abdutivo, na medida em que ela descreve o
aspecto principal; a detenção e privação da liberdade duma pessoa
entenda-se, contra a sua vontade.
Infelizmente, na falta
da mesma inclinar-me-ia para preferir o termo “sequestro”, em detrimento do
termo “abdução”, que como já verificado não existe na língua portuguesa,
pelo menos com o sentido que a ovnilogia nacional lhe pretende dar. Contudo,
visto ser um termo tão amplamente divulgado e utilizado em Portugal e nos
países lusófonos[14]
e, ser semelhante foneticamente ao termo inglês “abduction”, ao termo
francês “abducion” e ao espanhol “abducione”, parece que deverá ser o termo
“abdução” o termo a ser empregue.
Assim, denominaremos o
agente activo como “abdutor”[15]
e o agente passivo como “abduzido”[16].
Já constatámos que não
existe no Código Penal um artigo que preveja este tipo de conduta, todavia
não significa que não seja punível, ou melhor, que não seja considerado
crime à luz da lei portuguesa. Deste modo e tendo em conta a definição de
abdução dada supra, e pegando como base o artigo 158º de sequestro, pode
existir ainda um concurso verdadeiro, efectivo ou puro[17]
com outros crimes previstos no Código Penal, nomeadamente com o artigo 143º,
nº1 (crime de ofensa à integridade física simples[18]);
com o artigo 144º alínea C (crime de ofensa à integridade física grave[19])
consoante as actividades desenvolvidas durante o sequestro.
As abduções, qualquer
que seja a sua verdadeira natureza, parecem ocorrer em qualquer parte do
mundo. Inicialmente pensava-se ser um fenómeno exclusivamente do mundo
ocidental, nomeadamente dos Estados Unidos e da Europa, e se é certo que são
nestes locais do mundo onde são relatados e recolhidos a maioria dos casos,
tal deve-se na minha opinião, não a que nestes haja um maior número de
abduções, mas sim porque neles existe já uma comunidade ovnilógica
consciente do fenómeno e com vontade e meios de a investigar. Por outro
lado, esta é também uma cultura aberta à possibilidade de viagens espaciais
e de seres extraterrenos. Provavelmente noutras culturas, como por exemplo a
indiana ou a indía (nativa-americana), tais encontros seriam interpretados
não como abduções, no sentido em que as descrevemos, mas antes encontros com
entidades divinas ou com seres do mundo espiritual. Mas com a globalização e
com a partilha de informações que se tornou mais rápida, cedo se percebeu
que o fenómeno é multi-cultural, multi-racial e multi-continental. Todavia
são os Estados Unidos que lideram com o maior número de casos recolhidos e
investigados, seguido imediatamente da Inglaterra e do Brasil.
Curioso é notar, a
existência de algumas diferenças entre as abduções realizadas nestes países.
Não tanto nos procedimentos que mantêm uma similitude consistente, mas sim
na descrição dos abdutores. Este facto não é exclusivo das abduções, mesmo
no âmbito dos encontros imediatos, cedo se percebeu que enquanto nos países
de valores ocidentais as descrições eram idênticas, começando no início dos
anos 50 com os “nórdicos” personagens centrais dos casos de contactismo e
depois no final da década de 1960 e com particular relevância na década de
1980, modificando-se para os denominados “cinzentos”, principais
perpetradores ao que parece do fenómeno das abduções. Por seu turno,
principalmente na América Latina os seres eram descritos com uma maior
variedade; desde seres altos e peludos, a seres pequenos, verdes e com
antenas. Os motivos destas discrepâncias ainda iludem os investigadores,
originando acesos debates. Mais tarde regressaremos a esta questão, quando
discutirmos a questão dos “abdutores”.
Mas basta ter presente
neste momento que quer as características do fenómeno, quer os procedimentos
realizados nos sujeitos passivos, não diferem sensivelmente entre si.
Podemos falar, na terminologia de Nick Pope numa “estandardização” do
fenómeno, que não parece ter sido provocada por contaminação cultural ou dos
meios de comunicação, visto que este padrão já tinha sido observado pelos
investigadores muito antes da ampla divulgação do fenómeno, já comum nos
tempos que correm.
Ainda na esteira de Nick
Pope e John Mack[20],
se é verdade que uma abdução pode acontecer em qualquer lugar ou em qualquer
altura, desenham-se principalmente dois tipos de abdução; as abduções na
estrada e as abduções no quarto.
Este tipo de abdução
acontece frequentemente durante a noite, o sujeito passivo normalmente
começa por notar uma ausência anormal de outros carros nas redondezas.
Anormal não só porque a estrada é particularmente movimentada, como mesmo
àquela hora é comum haver outros condutores. Observa-se aqui um total
controlo por parte das entidades, do ambiente em redor do alvo. Geralmente
observam através do vidro retrovisor uma luz que identificam inicialmente
como sendo um outro veículo, todavia cedo reparam que a luz parece manter-se
colada à traseira, encadeando o sujeito. Apesar da proximidade, o outro
“veiculo” não parece querer ultrapassar, a própria luz apresenta-se anormal,
apresentando tonalidades e cores diferentes dos típicos faróis, até que
parece sobrevoar o veículo. É igualmente comum nesta altura o rádio começar
a falhar, notando-se distorções na recepção. De seguida é a própria vez do
carro começar a falhar e de lentamente começar a parar. Alguns
investigadores discutem se será intencionalmente provocado, ou apenas um
efeito secundário do sistema de propulsão do OVNI. Tive oportunidade de num
outro trabalho abordar esta óbvia correspondência e as suas consequências
práticas e não parece contudo haver uma resposta líquida[21].
Casos há onde parece haver uma perturbação não-intencional, outros em que
ela só é efectuada apenas algum tempo depois, com um propósito definido, e
outras onde simplesmente esta perturbação não é registada. Contudo, com base
num instinto pessoal e portanto não cientifico, pendo para a possibilidade
de que tal é criado deliberadamente.
É durante esta fase que
o abduzido começa a sentir-se sonolento, os olhos começam a pesar, até que
adormece. Na percepção do abduzido ele abre rapidamente os olhos, imaginando
que quase ia adormecendo ao volante e grato por não ter havido sequelas.
Contudo, confusão aparece quando normalmente o abduzido repara que está
prestes a chegar a casa, não se encontrando longe como pensava e não se
lembrando de como teria percorrido esse caminho. Ao olhar para o relógio,
apercebe-se de que este marca algumas horas mais do que deveria. Este
fenómeno é apelidado de “tempo perdido”, onde a pessoa é incapaz de explicar
o que lhe aconteceu durante esse período, período que pode variar de trinta
minutos a duas horas[22].
Numa abdução ocorrida na estrada, na Flórida, durante o dia, os abduzidos
encontravam-se a percorrer uma estrada, num dia soalheiro, segundos depois,
apercebem-se estar estacionados num local isolado, a quilómetros de
distância de onde estavam e o mais importante, de noite. Num momento estavam
na estrada de dia, no outro, de noite e num descampado.
Comum é algum tempo
depois do “incidente”, o abduzido começar a ter pesadelos e dificuldade em
dormir. Isto é consistente com o que a psiquiatria nos ensina, que alguns
tipos de traumas, esquecidos/bloqueados pela mente consciente, aparecem anos
mais tarde sob a forma de pesadelos. A abdução é, como verificaremos mais
tarde, um trauma. Por vezes o abduzido nota estranhas cicatrizes para as
quais não sabe encontrar uma causa justificativa.
Encontrando-se o
abduzido a dormir, este acorda normalmente sobressaltado com um peso em cima
do peito, incapaz de se mexer. Normalmente os sujeitos apenas podem mexer os
olhos ou a cabeça. Sentem igualmente uma presença no quarto, como se mais
alguém lá estivesse, e o sentimento é confirmado quando observam os
abdutores, normalmente dois ou três. É frequente todo este cenário ser
completado por uma forte luz, frequentemente descrita como branca ou
azulada, que invade o quarto vindo duma fonte exterior. Nos casos em que a
paralisia pára é frequente o abduzido tentar acordar o cônjuge, que dorme
aparentemente pacifico e alheio a tudo, mesmo ao seu lado. Em todas as
experiências onde o cônjuge ou companheiro não é ele próprio um abduzido, ou
sujeito daquela experiência em particular, será impossível para o abduzido o
acordar. A sua postura é descrita como se tivessem sido “desligados”, ou
como se encontrando numa “animação suspensa”. Qualquer tipo de resistência
aos abdutores é fútil, rapidamente o sujeito é invadido por uma sensação de
letargia e impotência, estado propício para que os sujeitos sintam extremo
pânico e medo.
O abduzido é então
transportado ou em braços, mas vulgarmente a “flutuar”, até uma janela ou
parede, que parece transpor, num acto impossível de acordo com as actuais
leis da física.[23]
É de seguida levado por essa luz para dentro de uma nave mais pequena,
geralmente pousada nas redondezas, que o transporta para uma nave maior, ou
alternativamente, directamente elevado nessa luz até essa nave. É nesta
altura que os abduzidos vêem a sua casa ou o chão lá em baixo a afastar-se
rapidamente. Muitos têm o receio de caírem, de facto, como salienta Nick
Pope[24],
é comum os abduzidos sofrerem de vertigens. Estará directamente relacionado
com esta parte do processo de abdução? Ainda durante a subida, são os
abduzidos acompanhados pelos abdutores[25].
Descritas as duas
situações mais usuais de abdução e as suas particularidades, torna-se neste
momento essencial enumerar as características gerais das abduções. Isto é,
os elementos que parecem estar tendencialmente presentes em todas as
abduções, independentemente do local onde ocorram.
Assim, o primeiro
indicador que de que uma abdução está prestes a ocorrer e o aparecimento de
uma luz intensa, geralmente branca, branca-azulada, ou azul. Esta luz parece
emanar duma fonte exterior ao local de onde se encontra o abduzido,
frequentemente esta luz é identificada como emanando da nave espacial que se
encontra a pairar no exterior. Esta luz é também acompanhada de estranhos
zumbidos ou zunidos, ao mesmo tempo que o abduzido tem a forte sensação de
uma presença de outras entidades perto de si. O sujeito vê-se incapacitado
de agir com perda da mobilidade, estando à mercê das intenções dos
abdutores. Todo o ambiente em redor parece estranhamente calmo e ermo; no
caso das abduções na estrada a ausência de carros; no caso das abduções no
quarto a impossibilidade de acordar o companheiro. A esta situação chama a
investigadora britânica Jenny Rendles de “Factor de Oz”, alusão ao filme do
Feiticeiro de Oz. O ambiente é totalmente controlado pelos abduzidos, sendo
impossível resistir à abdução[26].
De seguida, o abduzido é
levado a flutuar através da janela, das paredes, ou do tejadilho do carro,
afirmando Mack[27]
que os mesmos descrevem uma ligeira sensação vibratória ao passarem por
estes obstáculos. Os sujeitos são então acompanhados pelos seres até à nave,
onde sem se lembrarem exactamente de como lá entraram[28],
se encontram num lugar abundantemente iluminado com uma “luminosidade difusa
proveniente de fontes de luz indirecta nas paredes”[29].
Mack continua, afirmando
que o ambiente é esterilizado e frio, mecânico e semelhante ao de um
hospital.
Procedimentos
Como já referido, se as
descrições dos seres, que trataremos de seguida, são díspares, os
procedimentos ocorridos a bordo das naves são no entanto semelhantes.
Segue-se um apanhado do que sucede durante uma abdução, especialmente os
procedimentos físicos efectuados aos abduzidos. Mack distingue dois tipos:
os físicos e os informacionais.
O abduzido é colocado
numa mesa, geralmente todo nu, ocasionalmente porém, é lhe permitido ter uma
t-shirt ou outra peça leve vestida. A mesa que suporta o corpo é moldável ao
corpo e será nela que a maioria dos exames físicos será realizada. É também
relatado por vezes, a presença de outros seres humanos, dispostos na mesma
sala, em mesas semelhantes. Abduções de extrema importância, pois parecem
dar uma componente real e física, como será abordado mais à frente.
Os abduzidos são
sujeitos a exames onde através da utilização de instrumentos cirúrgicos,
alguns semelhantes aos terrestres, são lhes retirados amostras da pele,
cabelo, ou amostras do interior do corpo. Os instrumentos penetram o nariz,
os seios, os olhos, os ouvidos e outras partes da cabeça, braços pernas,
entre outros. Todavia é ao sistema reprodutivo que os abdutores parecem
prestar maior atenção, geralmente é retirado sémen ao homem e ás mulheres
retirados óvulos. Aspecto mais sinistro das abduções, e talvez o seu
objectivo principal como defende David Jacobs, é a fertilização desses
mesmos óvulos com ADN extraterrestre. É abundantemente descrito o sentimento
que algumas mulheres têm de terem sido engravidadas artificialmente por
extraterrestres. De facto Budd Hopkins relata um caso por si investigado,
onde uma jovem de 14 anos, virgem, com a membrana hímen intacta, se
encontrou grávida. Tinha apenas a vaga ideia de durante uma noite um homem
ter tido relações sexuais com ela, tendo descrito o incidente como mecânico
e o que presumiu ser o pénis, frio e incómodo. Três meses depois o feto
desapareceu da barriga. A explicação médica foi a de que se deu um aborto
espontâneo tendo a rapariga perdido o feto, todavia a opinião dos
ovnilogistas é que algures durante o terceiro mês de gestação, a mulher é
novamente abduzida e retirado o feto, fetos que de acordo com algumas
testemunhas são então colocados em recipientes e mais tarde em incubadoras.
Com o decorrer do tempo
os abduzidos vêem e são forçados a interagir com o que parecem ser crianças
híbridas (meio extraterrestres, meio humanas) crianças com as quais ou lhes
é dito serem os seus pais, ou têm a intuição de o serem. Já no caso António
Vilas-Boas após a relação sexual com o ser extraterrestre feminino, esta
apontou para a barriga e depois para o céu, significando que teria um filho
seu, longe, fora da Terra. Quanto à interacção, os abdutores tentam que as
mães terrestres lhes peguem ao colo, as alimentem, numa tentativa de
estabelecerem entre elas, empatia. É igualmente frequente eles encorajarem
crianças humanas a brincar com as híbridas.
Se é certo que as
interpretações não são uniformes na comunidade ovnilógica, parece certo que
após as experiências de carácter médico segue-se uma sessão de transmissão
de imagens que afectam profundamente o abduzido, de um futuro negro para a
Terra. Nelas projectam-se imagens de terras áridas, oceanos negros, cidades
destruídas, guerra, fome, sofrimento.
Alguns afirmam que estas
imagens são apenas para testar e compreender reacções humanas, todavia os
abduzidos sentem que estas são de alguma forma, previsões do que está para
acontecer.
Uma análise correcta do
fenómeno tem de necessariamente analisar os abduzidos. Ou seja, tentar
encontrar um denominador comum entre as pessoas que afirmam serem abduzidas
por extraterrestres. Encontrado este denominador mais próximo ficamos da
resposta, pois se se concluísse por exemplo que todas sofriam de disfunção
do lóbulo temporal, ou eram propensas à confabulação, mais facilmente se
encontraria a origem desta “disfunção”.
Na realidade, estudos
foram efectuados tentando demonstrar estas mesmas deficiências físicas ou de
carácter, sem resultado. Não vou ser extenso na matéria, importa apenas
referir que todos os estudos efectuados revelam que os abduzidos pertencem a
todos os extractos da população, desde os mais pobres, aos mais ricos, desde
aos mais instruídos aos analfabetos. Não têm propensão para a confabulação,
nem a maioria padece de qualquer malefício psicológico.
Deste modo concluímos
que a haver denominador comum não será psicológico ou social. Dado o
carácter “multi-geracional” do fenómeno, assim como uma evidente valorização
da componente genética nos procedimentos médicos efectuados, proponho que o
denominador comum seja de origem genética. Esperemos que com as descobertas
futuras a realizar no genoma humano se chegue a um qualquer tipo de
conclusão, pois a descoberta de qual a característica genética comum a
todos, lançará uma nova luz sobre os verdadeiros motivos por detrás do
fenómeno.
A sondagem Roper de 1991
chegou à conclusão de que mais de um milhão de americanos demonstra indícios
de poder ter sido abduzido, pelo que concluiu que o fenómeno (qualquer que
seja a sua origem) é generalizado e atinge os quadrantes de toda a
sociedade.
A investigadora Angela
Thompson afirma que 1 pessoa em 50 relata alguns indícios de abdução.
Depois de analisado o
sujeito passivo do fenómeno das abduções, chegou a altura de fazer uma
análise dos sujeitos activos, por outras palavras, os abdutores. Os sujeitos
por detrás do fenómeno. Partiremos portanto das descrições dadas pelos
abduzidos.
Neste ponto seguiremos de
perto as investigações dos pesquisadores mais iminentes, nomeadamente do
Prof. David Jacobs e do Prof. John Mack. Escolhi os trabalhos destes dois
investigadores, pois como é sabido, é na caracterização dos abdutores que a
capacidade criativa humana se entende, sendo o aspecto mais incerto do
fenómeno, importa portanto buscar as conclusões dos investigadores com mais
prática em separar a recordação exacta da fantasiada.
Um aspecto inicial
bastante importante é de que apesar de terem já sido descritas entidades das
mais variadas formas e feitios, as entidades recorrentes nos casos de
abdução são sem dúvida os denominados “cinzentos”; pequenos seres magros, de
cabeça grande em forma de pêra invertida, desproporcional ao corpo, de
braços compridos que chegam aos joelhos, com três ou quatro dedos, de pernas
delgadas. Não têm cabelos, nem orelhas, as narinas são orifícios
rudimentares e como boca, uma estreita fenda que raramente se abre ou
exprime emoção. Os traços mais impressionantes são principalmente os seus
grandes olhos pretos, curvados para cima, mais redondos no centro e rasgados
na extremidade exterior. Estes parecem não possuir esclerótica nem pupilas.
Todavia parecem haver
duas espécies de cinzentos, a saber;
-Os
cinzentos mais baixos ou pequenos, medem entre 90 cm e um metro, são eles
que trazem os abduzidos para a nave, que lhes tiram as roupas e realizam
alguns procedimentos não especializados. Raramente têm conversas longas e
quando falam, normalmente é para tranquilizar os abduzidos assustados. O
Prof. John Mack chama a esta variedade de cinzento, os “zangões”.
-Os
cinzentos altos, “lideres”, “médicos” ou “doutores”, têm uma morfologia
idêntica aos cinzentos descritos em cima, mas são ligeiramente mais altos,
têm normalmente um metro e meio de altura, aparentam ser também mais velhos
com uma aparência enrugada. Parece ser o ser encarregue de toda a operação,
aparece frequentemente depois de os cinzentos mais pequenos já terem
realizado os procedimentos médicos e realiza os mais complicados,
nomeadamente a implantação de embriões e a extracção de fetos. Conduz os
procedimentos de varredura mental, nos quais pode extrair memoria ou
informação, pode induzir excitação sexual e orgasmo. A maioria dos abduzidos
evita olhar para os seus olhos, devido ao temor opressivo do seu próprio
sentido de ser, ou perda de vontade própria quando o fazem. Apesar de terem
conversas mais substanciais com os abduzidos, evitam falar sobre os
propósitos. Quanto à relação entre estes seres e os abduzidos, ela é
ambivalente. Por um lado descobrem que só conheceram um líder durante a sua
vida, sentem-se muito ligados a ele, experimentando uma forte e recíproca
relação de amor. Ao mesmo tempo,
ressentem-se do controlo que ele exerceu sobre as suas vidas.
Tal como já abordado, a
comunicação é feita telepáticamente, mente a mente ou pensamento a
pensamento, sem necessidade de uma linguagem específica comum aprendida.
Tanto David Jacobs como
John Mack reportam a existência de seres femininos, o primeiro afirma que
“elas” aparentam apenas fazer parte da espécie mais alta, enquanto que Mack
afirma que apesar de a maioria dos “líderes” serem masculinos, foram também
relatados “líderes” femininos. Elas aparentam fazer os mesmos procedimentos
que os “líderes masculinos”, tal como procedimentos ginecológicos,
urológicos, varreduras mentais, mas com uma particularidade; são elas que
estão encarregues de tomarem conta dos descendentes híbridos. Tal como
referem os dois autores, a diferença de géneros não é identificada
recorrendo a caracteres secundários sexuais, tais como seios, mas sim
através de um sentimento intuitivo, revelado nas suas características “mais
bondosas”, “mais gentis”, “mais graciosos” ou “femininas” de uma que não
sabem bem explicar.
Mack refere ainda a
existência de uma espécie reptiliana, encarregue das tarefas mecânicas da
nave, Jacobs por outro lado considera possível que a expressão “réptil” pode
ser apenas uma questão de escolha de palavras dos abduzidos, para descrever
o clássico cinzento; mas assume que tal espécie possa existir, já que
algumas testemunhas associam os sentimentos de “mesquinhez” e “maldade” a
estes seres, ainda que não consigam bem explicar o porquê.
Jacobs define ainda a
existência de uma raça “insectoide”, supervisor dos cinzentos mais altos.
Parece ser a entidade com maior autoridade em todo o processo. Normalmente
fica no fundo, observando os procedimentos de abdução e dando ordens aos
seres mais altos, mas por vezes efectua varreduras mentais e interage com os
seres humanos. Quanto à sua descrição, são ainda mais altos que os cinzentos
mais altos, aparentam vestir uma capa ou um robe longo com um colarinho
alto. Quanto à sua morfologia é semelhante à de um louva-a-deus em atitude
de oração ou de uma formiga gigante.
Por último, Jacobs
refere a existência dos “nórdicos”, seres de aparência totalmente humana,
descritos como extremamente bonitos, loiros e de olhos azuis. Numa primeira
fase considerou tais descrições como o desejo dos abduzidos de transformar
os feios cinzentos em príncipes encantados, todavia e à luz das suas
investigações mais recentes, considera que os mesmos são já híbridos
adultos, frutos da união extraterrestre com a terrestre. Afirma que se à uns
anos atrás executavam tarefas menores, como de limpeza da sala de
procedimentos etc, que hoje já realizam alguns procedimentos médicos e que à
luz do que descreve como “actividade híbrida independente” realizam também
abduções.
Todavia não concordo
inteiramente com a afirmação deste ovnilogista, quando considera os nórdicos
como exclusivamente híbridos adultos. Desde já por uma questão histórica.
Seres loiros de olhos azuis e de beleza angelical foram descritos logo no
início dos anos 50, no período do Contactismo, e mesmo como anjos noutras
épocas da nossa história. Ora estas descrições antecedem cronologicamente os
cinzentos e o fenómeno das abduções. Para além do mais, tal como o próprio
investigador afirma, só recentemente é que os híbridos adultos subiram de
escalão, efectuando actividades independentes; foram até à década dos anos
90 subservientes. Ora isto entra em contradição com os nórdicos do
contactismo, na medida em que estes eram os únicos seres nas naves e
operavam com total independência.
Depois, se considerarmos
que os nórdicos do contactismo são os mesmos híbridos, então seres de
aparência totalmente humana, com a capacidade se andarem entre nós na Terra,
existem já há meio século, pelo que não faz sentido o programa híbrido
continuar nos dias de hoje. Para além do mais, os bebes descritos nos anos
80 tinham aparência ainda “anormal”, mais alienígena que humana.
Uma solução seria
considerar o fenómeno do contactismo como fraudulento, e desconsiderar todas
as informações e casos dessa época. Contudo uma recusa liminar não só seria
metodologicamente incorrecta como exageradamente generalizadora. Se olho com
desconfiança o “contactismo”? Sim! Se a maioria dos contactados eram
charlatães? Sim! Mas considero que alguns casos são interessantes e
tendencialmente verdadeiros. E depois, seria demasiada coincidência as
descrições dos extraterrestres virem a aparecer décadas mais tarde no
fenómeno das abduções.
Outra via seria a de
considerar os nórdicos do contactismo como uma espécie extraterrestre
diferente. Alguns investigadores consideram-nos até como inimigos dos
cinzentos e nossos verdadeiros amigos. Mas mais uma vez, a semelhança é
incrível, na medida em que tal como não há híbridos negros, asiáticos mas
apenas caucasianos de olhos azuis, os extraterrestres da época do
contactismo, quando totalmente humanos, eram quase sempre descritos também
como loiros e de olhos azuis[30].
As semelhanças são demasiado grandes para terem origens diferentes.
Por último, poderia se
considerar os nórdicos não como híbridos, mas como simples humanos abduzidos
que ajudam nas abduções, tal como relatados nas diferentes investigações, ou
então humanos, como defendem ovnilogistas da vertente conspirativa, de
agências governamentais que actuam intrinsecamente com as inteligências não
humanas. Mas isso não explicaria novamente, o porquê de serem quase sempre
loiros, de olhos azuis e também com capacidades telepáticas. Confesso que
esta vertente me deixa confuso e que não consigo por enquanto descortinar
uma solução clara, pelo que ficam apenas estes pequenos reparos, esperando
que alguém consiga dar a resposta.
Qualquer afirmação
incrível para ser tida como verdadeira, tem de ter provas incríveis. E é
claramente compreensível, que a maioria das pessoas, medianamente
informadas, não dê muita credibilidade a este fenómeno. Perguntam-se, como
será possível que se seres extraterrestres, que raptam pessoas com tanta
frequência, não se consiga provar definitivamente? Porque é que não há
provas?! Não cabe todavia nesta exposição discorrer sobre a ausência de
provas ou não na ovnilogia, cabe contudo salientar nesta vertente em
concreto, as evidências que parecem indicar uma natureza real e física ao
fenómeno. Não serão prova stricto sensu, mas servirão como indício de prova.
Dividirei em três categorias: erros, corroboração independente e implantes.
Admitindo que seres
extraterrestres percorreram vastas distâncias pelo espaço sideral e que
actualmente abduzem seres humanos para realizarem um qualquer propósito,
temos obviamente de admitir que estão tremendamente avançados em termos
tecnológicos, não só porque dispõem da capacidade de viajarem pelas
estrelas, voarem impunemente nos nossos céus, como também, de abduzirem
pessoas num ambiente totalmente controlado. Todavia, baseado nas informações
recolhidas pelos investigadores, não são seres infalíveis, cometem (tal como
os humanos), erros. E são graças a esses erros, que podemos liminarmente
afastar uma origem meramente psicológica ou alucinatória do fenómeno.
Estes erros incluem
frequentemente, erros de pormenor; nomeadamente, colocarem o sujeito virado
para o lado contrário da cama, vestirem-lhe o pijama do avesso ou com falta
de alguma peça de vestuário ou joalharia. Mas são igualmente cometidos,
embora com menos frequência, erros clamorosos, Budd Hopkins avança com casos
onde os abduzidos são deixados a quilómetros das suas casas, ou então, duas
pessoas são abduzidas, sendo devolvidas aos carros errados. Ainda que neste
caso em concreto, nova abdução tenha ocorrido, tendo a situação sido
devidamente corrigida.
6.2. Corroboração
Independente
Questão igualmente
interessante e importante são as chamadas corroborações independentes,
concretamente, testemunhos de pessoas exteriores à experiência, ou seja, que
não são agentes passivos, que contudo parecem indiciar que a experiência
realmente ocorreu. Estas ocorrências são no entanto raras, principalmente
porque como já observámos, as pessoas em redor encontram-se “desligadas”.
Mas quando ocorrem são significativas, o mais usual são amigos da pessoa
abduzida não a encontrarem enquanto decorre a abdução. Muitas vezes são
realizados telefonemas para a polícia, organizadas buscas, sem sucesso, até
que o abduzido aparece em casa, ou no local onde foi abduzido, sem saber o
que lhe aconteceu, surpreso por ter provocado tanta agitação. Noutras
ocasiões são relatados aos grupos dedicados à investigação OVNI, por altura
das abduções, observações de estranhas luzes no céu nas redondezas.
Podendo-se alegar serem
talvez menos imparciais, mas dignos de relato todavia, são por vezes os
próprios investigadores que corroboram as experiências. David Jacobs relata
que certa vez uma abdução iniciou-se enquanto falava ao telefone com uma
abduzida, tendo ouvido pelo auscultador um pouco do processo. O investigador
espanhol Josep Guijarro relata uma história muito mais interessante.
Enquanto investigava um caso na ilha Gran Canária e se encontrava hospedado
na casa da abduzida, Judith, relata como certa noite enquanto com ela
conversava, o som da televisão começou a aumentar e diminuir sozinho,
começou-se a ouvir estranhos cânticos e decidiram então irem dormir. Conta o
investigador que por volta das três e meia da noite o cão começou a ladrar e
começou a ouvir passos na escada. Conta como tranquilamente viu a silhueta
dum ser baixo, de cabeça grande, a passar pela porta do seu quarto tendo
para seu espanto, adormecido de imediato[31].
Mas talvez o caso mais
interessante e importante até à data é o descrito exaustivamente no livro “Witnessed[32]”
de Budd Hopkins. Este livro conta o caso de Linda Napolitano, uma mulher de
ascendência italiana, moradora em Nova Iorque que foi abduzida na noite de
30 de Novembro de 1989 de sua casa. Este caso nada teria de particular se
não fosse o facto de, como afirma Budd Hopkins, o caso ter sido testemunhado
por inúmeras pessoas independentes, que viram uma senhora ser levitada da
janela de sua casa, para bordo um OVNI, acompanhada de 3 pequenos seres,
tendo sido o OVNI depois visto a mergulhar nas águas do rio Hudson. Entre as
testemunhas encontram-se alegadamente o antigo Secretário-Geral das Nações
Unidas, Javier Pérez de Cuellar e dois dos seus guarda-costas.
A considerar como
fidedignos os casos de abduções de pessoas em grandes cidades, é realmente
impressionante o grau de controlo sobre a situação. Controlo que contudo
pode ser difícil de obter, o que explicaria as abduções na estrada, ou as
“sugestões” feitas aos abduzidos para se isolarem, como discutiremos mais a
diante[33].
Um dos aspectos mais
controversos no fenómeno das abduções são os chamados implantes, pequenos
objectos que por vezes são expelidos naturalmente, pela narina dos
abduzidos, acompanhado de sangue. Mas mais frequentemente o abduzido
apercebe-se deles quando por questões de saúde, radiografias lhe são
tiradas. É ao analisá-las que os médicos frequentemente se deparam com a
presença de pequenos objectos situados em diversos locais do corpo humano;
mais frequentemente no interior da caixa craniana, em locais que os médicos
não sabem explicar como lá foram parar, pois não sendo de origem natural e
sendo despistados como não sendo tumores ou anomalias do mesmo género, são,
de acordo com a nossa presente tecnologia médica, impossíveis de lá serem
colocados. Ou quando o são, confirma-se através dos registos médicos que a
pessoa em questão nunca foi a esse local operada.
Se é certo que os locais
mais comuns para se encontrarem os chamados implantes, são dentro da caixa
craniana e nas cavidades nasais, que interessantemente são a maneira mais
fácil de se chegar ao lóbulo temporal, que alberga a consciência humana,
implantes são descobertos em todo o corpo humano, por exemplo, nas mãos, nas
pernas, até nos dedos dos pés.
De acordo com alguns
documentos de origem duvidosa, estes afirmam que na década de setenta do
século passado, as autoridades norte-americanas tentaram retirar alguns
destes implantes a sujeitos que mais tarde morreriam durante as operações de
remoção. Whitley Strieber relata ainda o caso de Betty Dagenais a quem em
1986 os abdutores lhe disseram que morreria se tentasse retirar o objecto no
lóbulo na orelha; contudo, graças ao trabalho e esforço do investigador
Derrel Sims e do seu colega, o Dr. Roger Leir, a partir de 1995 que
sistemáticamente realizam operações cirúrgicas com a intenção de retirar os
objectos dos abduzidos.
Estas intervenções
cirúrgicas são efectuadas em condições controladas. Em primeiro lugar novos
raios-x são tirados ao objecto, para que se confirme que o objecto se
encontra no mesmo local, é também através das novas radiografias que se
determina a sua triangulação e também o método de extracção. Em segundo
lugar, o procedimento é acompanhado por testemunhas, principalmente de
diversas organizações de investigação, mas também por pessoas independentes.
Toda a operação é filmada e os implantes são fotografados no momento da sua
extracção, tudo para que não hajam duvidas que os objectos retirados dos
corpos dos sujeitos sejam os mesmos que vão ser analisados nos laboratórios.
Fruto de quase uma
década de investigação sobre os implantes, vamos de seguida discutir as
descobertas sobre os mesmos. No entanto uma distinção importa realizar, a
distinção entre implantes não-humanos e implantes humanos.
Certo se tornou claro que
não existe um padrão quanto à forma dos objectos. Os implantes retirados ao
longo dos anos, de centenas de pessoas, são na sua grande maioria diferentes
entre si, não obstante serem semelhantes em algumas ocasiões (implantes em
forma de T). Têm geralmente uma morfologia disforme, irregular. Se a
aparência não é semelhante, são semelhantes sim, as características físicas
e as condições fisiológicas como são encontrados.
Quanto à sua composição,
os investigadores descobriram que os implantes são compostos por duas
camadas. Uma primeira, o revestimento exterior e uma segunda, o
núcleo. O revestimento exterior é composto por ferro, fósforo, cálcio e
com pequenas quantidades de cloro, e o aspecto mais curioso é que este
revestimento revela também a presença de material orgânico do corpo da
pessoa, característica esta que lhe permite não ser expelido pelo corpo nem
causar irritações nem inflamações. O investigador Derrel Sims descobriu
através de análises que o revestimento exterior tem características
fluorescentes, que quando analisado através de luz negra manifesta uma
brilhante cor verde[34].
Chegou também à conclusão de que é possível identificar a localização de
possíveis implantes, mesmo sem recorrer a raios-x, passando uma luz negra
sob a pele do abduzido. Esses locais irão manifestar propriedades
fluorescentes. Descobriu-se que esta propriedade podia ser temporariamente
eliminada através fricção na pele de uma solução de álcool isopropílico.
Porém a luminescência ressurge poucos minutos depois com a mesma
intensidade. Ambos os cientistas chegaram à conclusão que a luminescência
desaparecia por si só num período de tempo compreendido entre 1 e 14 dias
tendo sido estabelecida uma média de 1 a 4 dias.
Quanto ao núcleo, estes
são compostos por ferro-carbono, provavelmente ferrite e têm características
ferromagnéticas. Mas o aspecto mais curioso; os objectos parecem ser de
natureza meteorítica.[35],[36]
Finalmente, quando não
localizados no cérebro humano, os implantes encontram-se directamente
agregados ao sistema nervoso, envoltos em fibra nervosa, o que torna a
operação de remoção uma experiência extremamente dolorosa, mesmo recorrendo
a anestesia local.
- Função:
Analisadas as
características físicas dos implantes, importa tentar perceber qual o seu
intuito. Partindo do pressuposto que estes objectos são introduzidos no
corpo das pessoas, pelos abdutores, lógico é que têm de ter alguma função, é
esta função que iremos debater em seguida.
Whitley Strieber resume
numa frase as opiniões maioritárias dos investigadores: “É fácil concluir
que os implantes devem ser aparelhos de detecção ou máquinas de controlo da
mente de alguma espécie, colocados dentro de nós por alienígenas”[37].
6.3.1.2. Mecanismo de
detecção
Esta foi a primeira
explicação avançada pela comunidade ovnilógica, baseada principalmente em
dados empíricos. Desde cedo se percebeu que o fenómeno da abdução estava
completamente fora do controlo da pessoa abduzida, esta era abduzida sempre
e quando que os abdutores o desejavam independentemente da sua localização.
Comuns são os casos de pessoas que assustados com o que lhes acontecia, e
mais frequentemente, com o não saberem o que lhes acontecia, simplesmente se
mudavam de casa, tentando deste modo acabar com as experiências, para logo
perceberem que independentemente para onde fossem, mesmo mudando de
continente, as experiências sempre se realizavam. Era lhes impossível fugir.
Com a descoberta dos
implantes avançou-se então com a explicação de que estes serviriam como
mecanismos de detecção, à semelhança com o que os zoólogos fazem actualmente
nos animais, instalando emissores rádio para saber onde estão a qualquer
hora. Mais recentemente existem já no mercado implantes de identificação dos
animais, que são normalmente utilizados em gado (em substituição do malho
quente) e em animais domésticos.
Enquadra-se ainda nesta
teoria, uma função acessória à de monitorização espacial da pessoa, a
monitorização fisiológica da pessoa, ou seja, uma análise constante do
estado de saúde do sujeito.
6.3.1.3. Mecanismo de
controlo de mente
Esta segunda explicação
teve e tem alguma resistência por parte de alguns investigadores,
principalmente os que se enquadram na
“tese positiva”, de que falaremos mais adiante. Avançam estes
investigadores com a noção de que, sendo os abdutores essencialmente
benignos em relação aos humanos, tentando ajudar-nos na nossa evolução e
acompanhando-nos em direcção a um novo estado de consciência, então ilógico
será estas mesmas entidades utilizarem implantes para controlar a mente.
Qualquer outra sugestão deve-se ao pessimismo e ao medo, que alguns
investigadores têm ao lidar com este fenómeno. Eles servem sim, afirmam,
apenas para a localização espacial da pessoa, facilitando as abduções.
Contudo, esta explicação
demonstra ser demasiado simplista, negando a existência de certos factores
que parecem dotar os implantes com uma outra função.
Este controlo da mente
dá-se, em meu entender, em duas vertentes:
6.3.1.3.1. Mera
monitorização; neste caso o controlo da mente não se dá na sua acepção
mais comum, ou seja, no controlo efectivo das acções e dos comportamentos,
mas antes num controlo efectivo na recepção de toda informação que o
abduzido recebe, assim como na recepção de pensamentos próprios em relação
ao fenómeno. O Prof. David Jacobs, sustenta esta opinião referindo que
baseado nas suas pesquisas, eles conseguem prever quando uma abduzida pensa
fazer algo em relação ao feto e de consequentemente o retirarem antes que
tal seja possível. Jacobs relembra o caso da radiografia possível porque foi
feita inesperadamente, no espaço de uma hora[38].
Comum é também os
abduzidos ouvirem vozes que lhes dão ordens ou impressões, no sentido de se
deslocarem a um qualquer lugar isolado (que facilita a abdução) ou para
realizarem uma actividade qualquer. É comum ocorrer o fenómeno de
“modulação”, na terminologia de Whitley Strieber, que consiste numa série de
sons “que vão desde coisas como o áspero som da transmissão digital até
séries de bips ouvidos no interior da cabeça ou perto do ouvido”[39].
Este tipo de ocorrências encontra-se plasmado nas mais diversas obras,
alguns exemplos, o caso de Katie[40],
ou o caso de Carla, investigado pelo ovnilogista português Luís Aparício.[41]
Cabe tomar posição neste
debate. É meu entender e após analisar dezenas de casos sobre abduções, que
chego à conclusão de que existem diversos tipos de implantes, talvez tantos
quanto a sua localização no corpo humano. Tendo a considerar que os
implantes encontrados nas pernas, mãos, dedos dos abduzidos tendem a ser os
mecanismos de detecção, encarregues por identificar a localização da pessoa
24 horas por dia, assim como a sua condição física. Por outro lado, tendo a
considerar que os implantes que se encontram inseridos no cérebro, ou nas
cavidades nasais, têm por finalidade o controlo efectivo da vontade humana,
em especial nas duas vertentes acima analisadas. Esta distinção entre
implantes foi também feita em 1978, no famoso caso Júlio F. ocorrido na
província de Soria, em Espanha. Sob hipnose Júlio F. afirmou terem-lhe
colocado um implante na narina e outro nos órgãos genitais; “creio que um
de eles (os implantes) serve para ver exactamente como estás e onde
estás. O outro é de alguma maneira, para emitir ordens, para te manejar,
para te manipular”.[42]
Outra vertente dos
implantes são os denominados implantes humanos. Implantes supostamente
inseridos em pessoas por agências governamentais obscuras, ao abrigo de
projectos secretos, com propósitos incertos. Não cabe nesta exposição
analisar detalhadamente esta vertente, pelo que referirei brevemente as
conclusões interessantes do investigador português José Garrido e para onde
remeto a leitura deste assunto[43].
- Descrição
Diferentemente dos
implantes não-humanos, estes são de tipo microchip, com 2 a 3 mm de diâmetro
e de formato cilíndrico. São colocados geralmente sob a pele e controlados
por satélite.
- Função:
Controlo de populações e
identificação em tempo real da localização de todas as pessoas.
7. Prevenção e
Antecipação de Abduções
Como veremos mais adiante
quando analisarmos os propósitos das abduções, verificaremos que a abdução
é, pelo menos num estado inicial, uma experiência traumática. Não só produz
consequências negativas no corpo humano, como disfunções urológicas ou
ginecológicas, como produz graves traumas psicológicos. Não frequente os
abduzidos recorrem ao álcool ou ás drogas, para combaterem a sensação de não
controlarem as suas vidas e de a qualquer momento poderem ser retiradas do
conforto das suas casas, das suas famílias e serem expostas a procedimentos
dolorosos e algumas vezes humilhantes. E pior, o sentimento de um pai ou mãe
de não conseguir proteger os seus filhos destas agressões e intrusões.
Deste modo, muitas vezes
por iniciativa própria mas também por aconselhamento dos especialistas, os
abduzidos tentam parar/evitar as abduções, ou pelo menos, tentam diminuir a
frequência das mesmas. São conhecidos casos em que os abduzidos antes de se
deitarem, escondem uma máquina de filmar, constantemente a apontar para
eles, na esperança de apanhar algo e de finalmente lhes dar uma certeza
sobre o que se está a passar. Infelizmente, as máquinas de filmar deixam de
filmar, desligando-se sozinhas, ou são desligadas pela própria pessoa (sem
esta o saber) ou, frequentemente, as abduções realizam-se depois da cassete
da máquina acabar ou a sua bateria. Estas tentativas demonstram ter uma
eficácia quase nula. Por seu turno Nick Pope afirma que estas tentativas de
acabar com as abduções se dão mais por desejo dos investigadores do que dos
abduzidos, baseado nas evidências, não posso todavia concordar.
Por outro lado, Nick
Pope tem uma curiosa ideia, especula que se as abduções são um processo
continuado, acontecendo sucessivamente a uma mesma pessoa ao longo da sua
vida, então é possível anteciparmo-nos e tornarmo-nos os “caçadores”. A sua
ideia é de tornar o habitat do abduzido o mais controlado possível,
recorrendo a equipamento de vigilância. Afirma que se as abduções ocorrem no
plano físico, então um vídeo poderá ser feito e comprovar a realidade do
mesmo. Todavia como a experiência demonstra, e tal como na prevenção,
normalmente os abduzidos desligam os vídeos não voluntariamente, como se
controlados por alguma força exterior, pelo que até hoje não funcionou.
Propõe uma vigilância independente sem o conhecimento do abduzido. É claro
que está consciente que esta acção viola a privacidade da pessoa,
nomeadamente o direito à reserva sobre a intimidade da vida privada,
estatuída no artigo 80º do Código Civil Português, mas contrapõe dizendo que
a abdução, como processo intrusivo é uma violação ainda pior, nomeadamente
da tutela geral da personalidade, prevista no nº1, do artigo 70º do CC
Português, pelo que é um preço a pagar. É um argumento a considerar, mas só
se tal for efectuado por um organismo com autorização legal para tal, como
acontece com a polícia, os investigadores ou ovnilogistas civis estão
obviamente expressamente proibidos de realizar a vigilância sem autorização,
incorrendo em crime.
Luís Aparício no seu
texto sobre abduções, refere que sendo impossível impedir uma abdução,
recomenda que o melhor é “levar a abdução numa desportiva”. Não posso
concordar com este ponto de vista, que me parece perigoso. Qualquer que seja
o propósito dos abdutores, não me parece que tenham qualquer direito a
efectuarem o que quer que seja, sem o nosso consentimento, conduta que já
verificámos ser crime. Não posso deixar de salientar que os direitos à
reserva da intimidade da vida privada e da tutela dos direitos de
personalidade são direitos absolutos e que merecem a maior tutela possível.
A sujeição a procedimentos dolorosos e humilhantes não pode ser admitido sob
qualquer pretexto, e há que reagir. E obviamente, é contra-producente
aceitarmos “na desportiva” sermos sujeitos de um procedimento sob o qual
nada sabemos e nada nos é dito. O melhor mesmo será procurar ajuda de
profissionais e conjuntamente, tentar diminuir os efeitos traumáticos, já
que por enquanto, impedir as abduções parece impraticável.
Depois de analisada a
fenomenologia do fenómeno, isto é, em que consistem as abduções e quais as
suas características principais, cabe nesta altura analisar finalmente as
principais teorias apresentadas para explicarem cabalmente o fenómeno. Se é
certo que a grande maioria dos ovnilogistas, onde me incluo, pende
tendencialmente para a aceitação duma natureza extraterrestre, ou seja, para
a aceitação dos acontecimentos tal qual são descritos pelas testemunhas, não
seria justo nem metodologicamente correcto, não analisar as explicações
alternativas e imparcialmente examinar a sua explicação e logicamente, a sua
adequação à realidade apresentada.
Seguem-se algumas das
teorias mais famosas:
Esta teoria apresentada
pela primeira vez em 1977 por Alvin H. Lawson, professor universitário de
literatura inglesa e pelo médico William MacCall, postula que as abduções
não são mais do que meros resultados do denominado Trauma do Parto.
Para tal basearam-se nos
resultados duma experiência que realizaram, determinada a averiguar se
indivíduos “normais” com apenas uma vaga informação sobre abduções, seria
capaz de através da hipnose inventar uma história complexa de abdução. O
intuito da experiência seria a de verificar se haviam diferenças de fundo
entre uma abdução inventada e uma suposta abdução verdadeira. Verificou-se
que no seu essencial as histórias eram semelhantes e que os sujeitos eram
capazes de improvisar respostas, mesmo quando confrontados com perguntas
sobre os detalhes dos procedimentos das abduções ou do aspecto dos locais.
Esta experiência demonstrou não só que a hipnose não previne a confabulação
(deliberada ou não), como é possível utilizando apenas a imaginação, criar
um relato de abdução credível.
Apesar das suas
conclusões iniciais, admitiram em Agosto de 1978, numa versão revista da sua
teoria, a existência de algumas diferenças entre as abduções “imaginárias” e
as “reais”, nomeadamente que nestas parecem haver certos efeitos
psicológicos e físicos nos sujeitos que não ocorrem naquelas, o que levou à
conclusão de que as abduções “reais” são separadas e distintas de
experiências “imaginárias” ou “alucinatórias”. Contudo, como correctamente
afirmou Lawson, a experiência demonstrou igualmente que ao contrário do que
alguns ovnilogistas pensavam, nomeadamente Harder e Leo Sprinkle, é possível
para uma pessoa mentir ou acreditar nas suas mentiras durante a hipnose, não
sendo a hipnose regressiva um método infalível de apuramento da verdade
factual.
Tendo observado que quer
os “verdadeiros” quer os “falsos” abduzidos produziam histórias semelhantes
e recusando que tal se devesse meramente a um conhecimento através dos meios
de comunicação de histórias de abduções[44],
tentaram então encontrar um denominador comum aos
dois grupos que fornecesse ao mesmo tempo, semelhanças com as
descrições das abduções. Chegaram à conclusão de que os dois grupos se
encontravam ligados por uma experiência comum a todos nós, a experiência do
parto.
Numa interessante
abordagem, perguntaram-se os dois investigadores, se a descrição
frequentemente dada do local das abduções, como sendo uma sala sem ângulos
rectos, ou, também descrita como redonda, não poderia ser uma alusão à
memória distorcida do útero feminino? De facto, a frequente descrição dos
próprios “abdutores” parece também adequar-se a uma recordação distorcida do
período intra-uterino. Não se parecem os “cinzentos”, principalmente nas
suas características principais, grandes olhos negros com cabeça
desproporcional ao corpo, com os fetos humanos?! Por seu turno, postularam
os investigadores, não seria possível que as intervenções médicas, parte
integral destas experiências e abundantemente descritas, fossem antes
recordações do próprio parto? E que dizer das alusões a um ambiente rodeado
de luz branca, tão reminiscente da sala dum hospital?![45]
Os psicólogos consideram
hoje em dia que o trauma inicial do parto é uma das experiências mais
profundas e significativas das nossas vidas, uma que é largamente
responsável pela formação da nossa própria psyche. Não será possível que
este trauma ressurja de tempos a tempos, ainda que numa forma disfarçada?
Esta teoria tem a
vantagem de ser uma das primeiras a tentar explicar cientificamente o
fenómeno das abduções. E apresenta certamente certas semelhanças inegáveis
entre as abduções e o próprio nascimento humano, contudo não parece resistir
ás criticas que lhe são passíveis de serem feitas. Criticas aliás
reconhecidas pelos próprios proponentes desta teoria, nomeadamente a de que
se o nascimento é comum a todos nós, porque é que apenas uma pequena
percentagem da população a relembra como abdução? E porque não existem casos
mais antigos, anteriores à Era Moderna da Ovnilogia, em que a descrição se
não feita nos mesmos termos, se refere a seres com a aparência actualmente
descrita?! E claro, esta teoria não explica as evidências físicas nas
testemunhas, como cicatrizes, feridas e a própria ausência física do local
onde se encontravam anteriormente.
8.2. Sindroma da
Falsa Memória
Do estudo da mente
humana os cientistas descobriram que a mente não recorda os acontecimentos
tal qual como eles se passaram. Até mesmo acontecimentos que temos
a certeza que ocorreram podem afinal, não ter ocorrido como nos
lembramos. É nisto que consiste o Sindroma da Falsa Memória. Aplicando este
conceito ás abduções, refere-se obviamente a lembranças recolhidas através
da regressão hipnótica, que de incertezas passam a certezas, especialmente
quando repetidas inúmeras vezes ou consagradas pelo hipnotizador. Desde modo
é plausível que conhecimentos sobre abduções, juntamente com confabulação
(não intencional) e o sindroma da falsa memória podem produzir relatos de
abduções credíveis.
De facto numa
experiência realizada pelo psicólogo Robert Baker, demonstrou-se que é
possível implantar memórias falsas numa pessoa utilizando a hipnose. Nesta
experiência conseguiu implementar a crença de que as pessoas se tinham
perdido em criança num centro comercial, evento que tinha sido confirmado
como nunca tendo ocorrido. E no entanto, os sujeitos da experiência
acreditavam plenamente que tal tinha de facto acontecido. Ora isto
demonstra, ainda que não intencionalmente, que é possível ao hipnotizador
implantar memórias ou levar a uma distorção daquilo que de facto ocorreu.
Todavia nesta experiência descobriu-se que era mais difícil ou mesmo
impossível implantar falsas memórias insólitas. Tentou-se a um grupo de
pessoas implantar a ideia de que tinham feito um clíster e nenhuma confirmou
a história.
Esta teoria tem o mérito
de demonstrar que é possível a hipnose influenciar e “contaminar” o processo
de relembrar das abduções. Demonstra contudo que implantar memórias
insólitas é algo muito difícil, como não explica os casos de pessoas que se
lembram de terem sido abduzidas, sem ser necessária a regressão hipnótica,
segundo Derrel Sims o número de pessoas que se recorda utilizando a memória
natural é de 10% dos abduzidos. Por último falha ainda a explicação do
desaparecimento factual das pessoas, assim como das evidências físicas já
analisados.
8.3. Imagens
Hipnagógicas ou Hipnopompicas
As imagens hipnagógicas
e as imagens hipnopompicas são as imagens que temos no estado alterado de
consciência, quando estamos prestes a adormecer ou quando acordamos. Em 1996
o jornal de psiquiatria britânico “British Journal of Psychiatry”, relatou
os resultados de um estudo efectuado a 5000 pessoas, em que se descobriu que
37% das mesmas experimentou alucinações hipnagogicas numa base regular. E
que 12,5% experimentava alucinações hipnopompicas. Descobriu-se ainda que os
três tipos principais de alucinações consistiam em:
-sensação de estar a
cair,
-sensação de voar,
-sensação de alguém mais
estar no quarto.
São curiosas as duas
últimas alucinações relatadas, assim como o facto de se darem no quarto,
pois apresentam algumas semelhanças com episódios relatados nas abduções.
Contudo não manifestam alucinações mais complexas como procedimentos
médicos, as descrições das naves, dos instrumentos, dos próprios abdutores e
mais uma vez falha em explicar a componente física do fenómeno, assim como
os imensos traumas psicológicos e físicos que os abduzidos sofrem.
8.4. Disfunção do
Lóbulo Temporal
Esta teoria para
explicar o fenómeno tornou-se conhecida quando em 1994, a Psicóloga e
Professora Susan Blackmore experimentou para o programa de televisão da BBC
“Horizon”, um capacete criado pelo Prof. Michael Persinger, que conseguia
criar através de estímulos os mesmos efeitos de uma disfunção do lóbulo
temporal. Estes efeitos consistem em: impressão de uma estranha presença,
sensação de ascender no ar, sensação de pânico; sentimentos relatados também
frequentemente pelos abduzidos. De facto no laboratório, Susan Blackmore
teve sensações espontâneas de raiva e medo, assim como uma sensação de
puxar. Contudo, na minha opinião, esta teoria falha igualmente, pelos mesmos
motivos enunciados para a teoria anterior.
Todas as noites sofremos
o que se chama de Paralisia do Sono, que consiste basicamente no mecanismo
natural do corpo em refrear os movimentos enquanto dormimos. É este
mecanismo que nos impede de nos magoarmos a sério, enquanto temos os sonhos
mais vívidos. De facto, quando este mecanismo falha, temos os conhecidos
casos de sonambulismo.
Contudo é numa outra
situação de falha deste mecanismo, muito mais rara de acontecer, que devemos
centrar as nossas atenções. Por vezes as pessoas acordam para verificarem
que o seu corpo não se pode mexer. De facto, o cérebro está activo, mas o
corpo ainda dorme e não responde aos estímulos por aquele enviado. Esta
situação é por vezes acompanhada da impressão de uma força situada na zona
do peito, que o pressiona. Foi esta situação que originou na Idade Média os
mitos do incubus e do
sucubus, entidades sobrenaturais que mantinham relações sexuais com
os humanos, com o âmbito de procriarem crianças demoníacas. Notamos uma
forte semelhança com a abdução!!! Não será o fenómeno das abduções, a
interpretação sociológica actual da paralisia do sono? Assim como os
demónios serviam para explicar a paralisia na Idade Média?! É sem dúvida uma
teoria interessante e na minha opinião, uma que oferece maior consistência
na tentativa de explicar as abduções. Falha contudo, novamente, na
explicação das manifestações físicas do fenómeno, assim como, devido à sua
raridade, não consegue explicar o grau elevado de abduções que parece
ocorrer num dado individuo.
Numa altura em que este
problema adquire maior notoriedade e preocupação em Portugal, importa
referir que o abuso sexual de crianças, pode, segundo alguns autores criar o
fenómeno de abduções. Alegam os autores que um tal trauma (dos piores que
podem ser cometidos) cria grandes cicatrizes nas crianças e que são
conhecidos casos em que o cérebro, numa atitude de censura e absorção do
choque reprime estas memórias. Todavia tal repressão não é total, sendo que
as memórias encontram-se armazenadas no sub-consciente, e é neste ponto
delicado que alguns autores admitem que estas possam aparecer numa outra
forma, mais suavizada, na forma de uma abdução extraterrestre.
Todavia na prática esta
teoria tem se demonstrado falível, nunca se demonstrou que a memória
reprimida pudesse surgir nesta forma, nem que um “abduzido” tivesse sido
molestado em criança. Aliás, notam os ovnilogistas, que o contrário já é
frequente de acontecer. Muitas vezes uma pessoa pensa ter sido molestada em
criança e descobre através da hipnose ter sido abduzida.
Em última análise, e
concretamente em Portugal, veremos se algumas das crianças abusadas da Casa
Pia, afirmará no futuro, ter sido abduzida por extraterrestres.
Esta teoria foi já
levemente abordada aquando da análise do problema do implantes. Defendem
alguns investigadores que as abduções extraterrestres não são nada mais,
nada menos, que memórias implantadas por psiquiatras do estado
(norte-americano) nas pessoas que são raptadas em programas secretos das
agências governamentais. Estas memórias visam ocultar os verdadeiros
procedimentos, assim como desacreditar qualquer investigador que ao tentar
acusar o governo, rapidamente se viria envolvido com histórias de
extraterrestres a raptarem pessoas para as suas naves.
Se é certo que certos
projectos que envolviam a captura de cidadãos inocentes foram realizados
pelo governo norte-americano, como admitido no projecto MK-Ultra, militam
contra esta teoria, a natureza global do fenómeno e a descoberta de
implantes em locais impossíveis de alcançar de acordo com a nossa tecnologia
médica actual.
Alguns investigadores
afirmam que muito provavelmente não haverá uma só explicação para as
abduções, experiências haverão que têm origem em causas mais prosaicas,
ataques epilépticos ou outras perturbações do foro psicológico, imaginação
fértil, confabulações, etc. Admitem alguns, experiências de abduções que
apresentam uma conjugação destes factores.
É perfeitamente
admissível que a natureza do fenómeno não seja uma realidade extraterrestre.
É possível igualmente que esta resida numa causa natural, ainda não
perfeitamente analisada. Contudo julgo ser por demais evidente que o
fenómeno apresenta características únicas e não catalogadas em nenhum
distúrbio psicológico ou mental. Não se podem ignorar igualmente as
manifestações físicas do fenómeno, pelo que qualquer explicação terá
forçosamente de ser exterior à própria pessoa.
Concordando com a
posição de Nick Pope e de Lynn Picknett, julgo que se deverá utilizar o
princípio da “lâmina de Occam” que consiste em afirmar que a explicação mais
simples é frequentemente a verdadeira. E na minha opinião, a opinião mais
simples é a que deriva dos próprios abduzidos; de que estão a ser
sequestrados por extraterrestres. Não se podem ignorar as informações só
porque não se enquadram na nossa visão do mundo e tentar construir teorias
para se subsumirem (à força) os factos.
Posso estar errado, e
não é com leviandade que afirmo a minha posição, mas creio que a origem do
mesmo está numa inteligência não humana e exterior ao homem.
Chegados ao final desta
exposição, importa analisar um dos pontos mais importantes deste estudo.
Clarificado já que o fenómeno é real, que não tem origem nos recônditos da
mente humana, que não reside no mundo da fantasia, mas que tem sim uma
dimensão real e física, importa finalmente esclarecer qual o propósito dos
seres por detrás do fenómeno. Existem essencialmente três teorias, a
positiva, a negativa e a neutra. Analisemo-las:
Esta teoria, que
cronologicamente foi a segunda a aparecer, defende no seu essencial que os
extraterrestres estão cá essencialmente para nos ajudar. Afirmam estes
defensores, que se os extraterrestres estão cá para nos destruir, já há
muito que o te-lo-iam feito. Pelo contrário, estão cá por nossa causa e
pretendem-nos ajudar a atingir um novo estado de consciência. Pretendem-nos
ajudar a evoluir, pretendem que os nossos padrões morais aumentam para que
estejamos ao mesmo nível que eles. Pois, afirmam, só nessa altura estaremos
preparados para os receber, como irmãos mais velhos que são. Na realidade,
esta teoria aproxima-se muito da do contactismo.
Os investigadores
afirmam que os abduzidos, se todavia é certo, têm experiências traumáticas e
negativas, tudo faz parte de um processo de purificação, de transformação.
Nas palavras de Luís Aparício
“Nada nos é dado que nós não podemos
suportar". Apresentam evidências de que os abduzidos vêm
transformados do processo, muitos deles com capacidades artísticas
incríveis, sentidos super-apurados e por vezes poderes sobrenaturais, tal
como telepatia e clarividência.
Afirmam que os abduzidos
sentem que os extraterrestres os amam e que muitas vezes deles tomam conta,
chegando mesmo a curá-los de doenças perigosas. No final da abdução,
frequente são as mensagens ecológicas e a transmissão de filmes
catastróficos sobre o futuro da terra, a quem lhes é transmitida a mensagem
de que temos de tomar conta do nosso meio-ambiente, do nosso futuro e deixar
uma terra limpa para as futuras gerações. Como principais proponentes, os
investigadores John Hunter Gray e Leo Sprinkle.
A este corpo principal
vieram alguns investigadores adicionarem certas variantes, Josehp Nyman por
exemplo, acrescentou no final dos anos 80, o conceito de vidas passadas.
“Descobriu” que muitos dos abduzidos tinham sido noutra vida alienígenas e
que a sua missão no planeta Terra é a ajudarem os seus irmãos no programa de
hibridização. Mais recentemente, John Mack veio aderir também a esta teoria.
Para ele a abdução é mista e não inteiramente positiva, mas que todavia
propicia uma oportunidade para a transformação espiritual e de
desenvolvimento da consciência.
Por último, consideram
que estamos perante algo de glorioso, que está prestes a acontecer e que
trará maravilhas à humanidade.
Na outra vertente do
escopo, estão os defensores da teoria negativa. Consideram que os positivos
foram enganados e que uma análise mais detalhada e aprofundada do fenómeno
lhes iria revelar a verdadeira natureza, que longe de ser positiva é
tenebrosa e medonha.
Afirmam que recusam ver
a verdade, que se preferem ver como experimentados do que como abduzidos.
Que se recusam a aceitar como ratos de laboratório, mas antes sujeitos
activos e empenhados na criação do novo homem, dando importância menor aos
procedimentos médicos e sobrevalorizando a componente informacional.
Neste espectro
encontra-se o Prof. David Jacobs que salienta em primeira-mão os resultados
físicos sobre os abduzidos. A verdade é que estes desenvolvem fobias,
possuem cicatrizes, contusões, problemas físicos, especialmente
ginecológicos e disfunções urológicas. Muitos vivem com medo da próxima
abdução e sentem-se culpados por não poderem proteger os seus filhos. Têm
também relações afectivas mais instáveis, devido provavelmente ao sentimento
subconsciente de que o parceiro não consegue impedir as abduções, tal como
observa Nick Pope. Todos estes efeitos secundários são crime de acordo com o
já citado artigo nº 144, alínea C, do Código Penal Português.
Quanto ao argumento de
que estão cá para salvar o meio ambiente, salienta-se o facto de que, eles
nada fazem de concreto para ajudar o meio ambiente. Após 40 anos de abduções
no mínimo e 100 no máximo (como sugerem alguns autores), a degradação do
ambiente não melhorou, mas sim piorou. Em vez de abduzirem altos dirigentes
humanos, quem têm faculdade de mudar politicas governamentais, abduzem
simples pessoas sem meios para tal.
Salientam também os
investigadores para os “abduzidos inconscientes”, que não sabem que são
abduzidos, que mantêm uma vida normal sem especiais apetências. E mesmo dos
conscientes a maioria não é activista político nem ambientalista. E
especialmente nas primeiras abduções registadas, apenas a componente sexual
primava. Esta aparente preocupação com o meio ambiente é recente. Jacobs
defende ser parte dum estratagema para providenciar um complemento moral,
uma justificação aceitável para os atropelos à dignidade humana que cometem.
Finalmente, a quererem uma terra limpa será para eles, para quando ocorrer a
“integração”.
Budd Hopkins que
inicialmente era um positivo escreve recentemente: “Não vejo indícios de que
os abduzidos como um grupo, estão ecologicamente mais preocupados do que a
maioria da população”. Continua, “Se os cigarros são considerados um
malefício ambiental, e as drogas social e em termos de saúde, então os
abduzidos têm uma maior percentagem do que os “não” abduzidos, devido ao
trauma das abduções”. Afirma então que os extraterrestres estão a piorar um
problema mundial de saúde. Afirma ainda que descurou nas suas investigações
uma componente muito importante, o aparente controlo total das testemunhas
pelos abdutores, um comportamento que as torna dóceis e subservientes.
Atitude que não se coaduna com as intenções proclamadas na teoria positiva.
Esta teoria que
cronologicamente foi defendida em primeiro lugar, afirma que as abduções
fazem apenas parte de um projecto de estudo da raça humana. Aliás esta foi a
informação fornecida pelos abdutores de Barney e Betty Hill. É também uma
teoria lógica e que tem paralelos com as actividades dos nossos próprios
cientistas. Os zoólogos principalmente, para melhor perceberem algumas
espécies como os seus modos de vida, capturam alguns exemplares, põem-lhe
instrumentos rádio e voltam a liberta-los. Apesar de por vezes a instalação
desses instrumentos poderem ser dolorosas para os animais, elas são
necessárias, mas não significam uma especial atitude negativa em relação aos
animais. Eles são apenas objecto de estudo científico. Esta é também a
posição do hipnólogo brasileiro Mário Rangel.
9.3.4. Expostas as
teorias principais, importa tomar posição.
Esta é talvez a questão
mais importante e a mais difícil de responder. Não creio que se possa desde
já optar por uma das teorias, creio que existe ainda muito por investigar e
muito por apurar. De facto muitas das afirmações e dos acontecimentos são
contraditórios, as próprias impressões dos abduzidos não são homogéneas,
existe ainda uma grande incerteza causada sem dúvida pela inteligência por
detrás do fenómeno. Contudo e pelos motivos acima expostos, tendo a aceitar
como mais provável a teoria negativa, apesar de com ela não concordar
totalmente. Efectivamente se os planos dos extraterrestres são os de ajudar
a humanidade a entrar num patamar mais evoluído de consciência, falhou
redondamente. Não só os problemas ambientais se degradaram, como os
problemas sociais tomaram proporções ainda maiores, a criminalidade aumenta
sem parar e a própria violência infantil manifesta-se cada vez em idades
mais tenras e com brutalidade nunca antes vista. A sociedade encontra-se
mais consumista do que nunca e as pessoas apáticas, mesquinhas e egoístas.
Qualquer sentido de civismo e de cooperação entre cidadãos, parece ter
desaparecido. Se as abduções se realizam numa escala tão grande, com um
número elevado de sujeitos, então os resultados são claramente negativos.
Por outro lado, é
correcto terem havido curas milagrosas de certos abduzidos. Mas creio que
uma explicação plausível será a de que, sendo o abduzido essencial,
necessário foi curá-lo para que continuasse com o seu papel no programa. Se
o desejo dos extraterrestres fosse tão filantropo, então provavelmente
veríamos um maior numero de curas milagrosas e de pessoas não abduzidas. Dos
inúmeros doentes que morrem todos os dias de doenças graves, porque não os
ajudam a eles?!
Quanto à teoria neutra,
tenderia a concordar com ela, não fosse um pormenor. É que os
extraterrestres entram em contacto com os seres humanos, interrelacionam-se
com eles, acompanham o seu crescimento, transmitem sentimentos de amor,
ódio, medo, etc. Existe para o bem ou para o mal, uma empatia entre abdutor
e abduzido, ora tal comportamento é inapropriado para um estudo científico.
Estudo que se deseja o mais distante possível, pois como qualquer
investigador sabe, a própria observação altera o objecto de estudo. Para
além do mais, as abduções teriam todas elas de ter o mínimo impacto possível
e contudo, 10% dos abduzidos tem
memórias naturais da abdução, ou seja, lembram-se sem necessidade de
recorrerem a hipnose. Tudo isto faz afastar a validade desta teoria.
Finalmente quanto à
teoria negativa. Nick Pope, confirmando a crítica a esta teoria, a formulada
por Jacques Vallee, afirma erroneamente, que nesta visão os extraterrestres
apenas nos consideram como stock genético, stock que os levará a criar uma
raça híbrida que controlará a Terra. Afirma que se tal fosse o caso, porque
não assaltariam eles laboratórios genéticos, podendo num só golpe ficar
abastecidos por uma vida inteira, sem necessidade de recorrem
sistematicamente ás abduções? A questão é que a observação de Nick Pope e
Jacques Vallee se encontra incompleta. É que parte principal do programa das
abduções parece ser o interrelacionamento dos híbridos com as suas mães
terrestres. Mães que lhes ensinam sentimentos que os cinzentos aparentemente
já perderam. Ao colocarem crianças híbridas em contacto com crianças
humanas, como divulgado extensivamente nas obras de David Jacobs e em
sistemática relação com as mães, parecem tentar desenvolver nos híbridos
algo de particular aos humanos; sentimentos individuais. É por isso que um
assalto a um laboratório genético seria insuficiente. Até porque uma mulher
não sentiria sentimentos maternais, perante um ser híbrido criado não a
partir dela, nem dentro dela, mas antes de material genético anónimo. Por
outro lado, a aceitar a posição dos que afirmam que as abduções começaram à
100 anos, ou mesmo que se aceite que começaram à 40, nessa altura não haviam
laboratórios genéticos, o que os forçaria a procurar na fonte.
Chegámos ao último ponto
desta análise e que se resume afinal a tentar descortinar qual a função dos
abduzidos. Isto é, tendo como ponto assente que existem abduzidos, que
pessoas são sequestradas por outras entidades, para que servirão as mesmas?!
Servirão apenas como progenitores ou mães de aluguer para os seres híbridos?
Servirão apenas para demonstrar o afecto humano e a ensinar como com eles
lidar?! Ou terão ainda uma outra função, não totalmente descortinada?!
Muitos deles afirmam que têm uma missão, que lhes será revelada quando for a
altura. O Prof. David Jacobs divide estas funções em duas categorias; a
principal e as secundárias.
Função principal (no
plano de integração): Os abduzidos servirão essencialmente para ajudar os
outros humanos na transição da sociedade actual para a integração
alienígena. Afirma que os mesmos acalmarão as pessoas em pânico, prestarão
ajuda e indicarão os locais para onde se deverão dirigir. Tudo para que as
pessoas facilitem o processo. Resta saber se tal função será algo que
realizarão conscientes dos seus actos, ou por total e completa vontade
exterior, como capacidade já demonstrada pelos abdutores. Noutras palavras,
se serão apenas robots sem vontade.
Este fenómeno
apresenta-se complexo e por vezes contraditório. Não creio que hajam
respostas fáceis. Apresentei já no capitulo apropriado, as minhas reflexões
sobre os objectivos das abduções, referindo as três teses principais, e qual
a com que mais concordo. Aproveito então esta altura para afirmar que, salvo
melhor opinião, será preferível adoptarmos, enquanto humanidade, uma posição
inteligente. Isto é, esperar pelo melhor, estando preparados para o pior.
Não creio correcto afirmarmos estar perante algo de glorioso, algo que nos
vai beneficiar imenso, principalmente quando todos os dados são escassos e
contraditórios. Não é inteligente aceitarmos de braços cruzados, aquilo que
não conseguimos ver e/ou compreender, principalmente quando “aquilo” não se
apresenta na maioria das vezes “bom”. Creio que não podemos cair no oposto,
numa hostilização, pois novamente, não temos dados suficientes. Mas creio
que algo se está a passar, e convém olharmos com alguma desconfiança,
desconfiança essa, que nos poderá talvez, salvar.
Janeiro de 2004
Revisto em Setembro de 2005
*Licenciado em
Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
[1]
O primeiro caso registado seria contudo o de António Villas-Boas, no
Brasil, que a 22 de Outubro de 1957 foi levado para dentro de uma
nave alienígena, onde foi obrigado a ter relações sexuais com um ser
do sexo feminino, de aparência feia. Para um conhecimento mais
aprofundado, recomendamos a leitura do artigo de Pablo Villarrubia
Mauso. (espero que o autor me indique a revista).
[2]
Nick Pope, The Uninvited, “An Exposé of the Alien Abduction
Phenomenon”, Simon&Schuster, 1997, página 4.
[3]
De extremo interesse a exposição dada no seu livro, a comparação com
fadas, elfos, etc….
[4]
Alguns investigadores consideram as abduções como o 4º grau da
escala da Hynek. Contudo discordo desta opinião. Não só porque
quando a escala foi criada não era conhecido o fenómeno das
abduções, como o proprio criador da escala, manifestava o seu
desprezo pela fenomenologia. O 4º grau aplica-se, na minha opinião
somente quando um alienígena convida o ser humano a entrar no OVNI.
Se for intencional e desejado, será classificado como “contacto”, se
for contra a vontade, como “abdução”.
[6]
Webster's Revised Unabridged Dictionary, 1998
[7]
Organizações existem contudo que repudiam a palavra, tal como a GIFI
“Associação Portuguesa para a Investigação”, que no seu manifesto de
2001, publicado no seu site:,
http://www.gifi.pt/portal/programs/ewpview.aspx?codigo=MANIFESTO,
considera o termo abjecto.
[8]
É também a tradução feita na edição portuguesa do livro de Whitley
Striber, o Segredo Extraterrestre, Publicações Europa-América, 2001.
Contudo traduz erroneamente a expressão abduzido por abdutado.
[9]
Editorial Verbo, 1998.
[10]
Como na tradução portuguesa, Sequestro: Encontros com
Extraterrestres, Editora Planeta, 1997.
[11]
Como na tradução brasileira, Intrusos: Um estudo sobre o rapto de
pessoas por alienígenas, Distribuidora Record S.A, 1991.
[12]
Este é também o termo preferencial utilizado pela GIFI.
[13]
Todas as outras alíneas não se enquadram linearmente com o padrão de
uma abdução e deverão portanto ser ignoradas.
[14]
Especialmente no Brasil.
[15]
Utilizamos esta expressão com alguma cautela, na medida em que os
dicionários consultados lhe dão outros significados, como por
exemplo, os músculos que
afastam da linha média do corpo humano as partes sobre que exercem
acção, ou, como tubo que
conduz gás para o exterior do aparelho em que se produz
(Editorial Verbo 1998). Utilizamos unicamente no sentido jurídico
que o dicionário Universal, da Texto Editora 2003 lhe dá, como
sinónimo de raptor.
[16]
Anglicanismo da palavra “abductee”, pois ela não existem em nenhum
dicionário de língua portuguesa que tenha consultado.
[17]
Existe um concurso verdadeiro, efectivo ou puro de normas penais quando o
mesmo agente pratica um conjunto de factos criminosos, diferenciados
entre si.
[18]
“Quem ofender o corpo ou a saúde de
outra pessoa é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de
multa”
[19]
“Quem ofender o corpo ou a saúde de
outra pessoa de forma a: provocar-lhe doença particularmente
dolorosa ou permanente, ou anomalia psíquica grave ou incurável; é
punido com pena de prisão de 2 a 10 anos”
[20]
Ob. cit. Página 37 “Normalmente, os sequestros começam nas casas ou quando os sequestrados
se encontram em carros…”.
[21]
“OVNIs, Efeitos Electromagnéticos e Apagões”, Agosto de 2003.
http://www.apovni.org/1%20Apaga.htm
[22]
Abduções de 4 dias já foram relatadas. Caso Travis Walton, 1975.
[23]
Alguns investigadores menos ortodoxos sugerem a hipótese de que as
leis da física não são contrariadas. Afirmam que não é o corpo
físico que é abduzido, mas sim o “corpo-astral”. Julgo incorrecto
explicar-se um mistério com outro mistério. E tendo em conta que os
propósitos das abduções, envolvem invariavelmente exames físicos, a
maioria deles de natureza ginecológica e frequentemente, a presença
de cicatrizes como resultado dos mesmos são encontrados, não faz
sentido defender-se uma concepção astral do corpo. Parece antes que
a entidade por detrás do fenómeno, é capaz de fazer seres físicos
atravessarem uma parede ou obstáculo sólido.
[24]
Ob. Cit, página 109
[25]
No interessante caso de Linda Napolitano, investigado exaustivamente
por Budd Hopkins e exposto no seu livro “Witnessed”, o investigador
refere o facto de durante a subida, quer o abduzido, quer os
abdutores adoptarem a posição fetal.
[26]
Descartando igualmente todo o cenário apresentado, na óbvia fraude,
da filmagem da abdução em Lake County, 1998. Passado na TVI e
traduzido na televisão portuguesa como: “Reféns na Escuridão”
[27]
Ob. Cit. Pagina 38
[29]
John Mack, Sequestro –Encontros com Extraterrestres, Edições Temas
da Actualidade S.A, página 41.
[30]
Eram contudo também frequente a descrição de seres com uma pele cor de
azeitona, com traços asiáticos.
[31]
Josep Guijarro, Infiltrados –Seres de otras dimensiones entre nosotros,
Ediciones Sangrilá, página 127.
[32]
Budd Hopkins, Witnessed –The True Story of the Brooklyn Bridge
Abduction, Bloomsbury, 1996.
[33]
Em resposta á pergunta de Lynn Picknett, no seu livro, The Mammoth Book of
UFOs, Constable&Robinson, 2001.
[34]
Fenómeno idêntico descoberto nas mutilações de gado.
[35]
Ob. Cit., página 171
[36]
Revista Alien Encounters, nº14, Julho de 1997, página 25
[37]
Lynn Picknett, The Mammoth Book of UFOs, Constable&Robinson, 2001
[38]
David M. Jacobs, A Ameaça, Editora Rosa dos Tempos, 2002, página 73.
[39]
Whitley Striber, Ob. cit. página 162
[40]
Budd Hopkins, Intrusos, Ob. cit pagina 80
[42]
Josep Guijarro, Ob.
Cit, página 36
[44]
Como na experiência de Travis Walton, 1975
[45]
No seu livro, Mack descreve o local das abduções como tendo uma
atmosfera húmida, fria e, ocasionalmente cheirando mal.
As paredes e tecto são curvos, normalmente brancos, embora o
chão possa parecer escuro ou mesmo negro. Todavia a descrição de
consolas de computador e outros equipamentos electrónicos, não se
coadunam com a teoria do Trauma do Parto. (pag 40 e 41).