Entrevistas
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Paulo Cosmelli |
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Nesta entrevista de 23 de Novembro de 1999, concedida a mim e à minha colega da Universidade Autónoma de Lisboa, Sandra Barreiro, o investigador Paulo Cosmelli fala de diversos aspectos da fenomenologia OVNI. A conversa foi muito centrada no trabalho que estávamos a realizar, para uma cadeira da do primeiro ano da faculdade (Teoria da Comunicação), daí o teor mais jornalístico das perguntas e a transcrição na íntegra das respostas.
Pergunta: Quais são para si as mais importantes revistas de fenómenos
paranormais, ramo OVNI e porquê ?
Paulo Cosmelli: Bem, revistas dentro deste campo há poucas. Temos a
“UFO” norte-americ
Corrija-me se estiver errado, mas também existiu a “Alien Encounters”...
Sim, essa também era excelente mas acabou. A “Terceiro Milénio” ainda está em vigor e é das poucas revistas conhecidas que aborda esse tipo de fenomenologia com seriedade. A revista espanhola “Más Allá” de vez em quando apresenta uns artigos bastante curiosos e interessantes neste campo. A “Año Cero” também é razoável, mas, por vezes, para se retirar um bom artigo tem que se “comer” com 20 ou 30 que não prestam...
Isso também acontece com livros ou outras publicações, em que muitas vezes lemos um livro para tirar um parágrafo ou dois, infelizmente. Isto pode ter muito a ver com certas e determinadas coisas que não são muito “saudáveis” virem à luz do dia. Há muita gente que se acanha ou tem medo de este ou outro tipo de assuntos, mas, principalmente, dentro da ovnilogia, temos muitos investigadores que a certa altura das suas carreiras abandonam ou começam quase a negar afirmações que fizeram, etc. Não é só a nível de investigadores que isto acontece, temos casos de presidentes, altas individualidades militares, científicas, religiosas, etc.
Estou a lembrar-me de um presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, que a 1 de Julho de 1976 declarou a um jornal norte-americano, o seguinte: “Quando eu for presidente darei a conhecer ao Mundo a existência dos UFOs. Há toneladas de material guardado secretamente nos arquivos nacionais e que o público deve conhecer”. Ainda hoje estamos à espera de essa e de outras promessas. Que realidade tão secreta é esta que faz calar presidentes, generais e por aí fora ? É curioso...
Outras coisas bastante curiosas, e que têm acontecido ao longo dos tempos, é que hoje encaramos esta realidade como um fenómeno ainda em certa medida investigado pela ciência, mas que ao longo dos tempos, e se nós andarmos para trás e formos fazer um apanhado de todos os livros sagrados, vimos relatos de “tapetes voadores”,“bolas de luz” e de seres que desciam dos céus dentro desses instrumentos ou aparelhos. Para além disso, temos lendas, inclusivamente em Portugal, desde a Serra da Estrela (a estrela que descia a Serra para falar com os pastores), desde o Montejunto (o Monte que junta a terra aos céus), e tantas outras lendas, que se começarmos a andar para trás no tempo, vimos que está ligado a algo que descia dos céus e os contactos que daí advinham.
Desde a segunda metade do século XX que se têm intensificado cada vez mais este tipo de contactos e avistamentos, devido ao uso e abuso de uma energia destruidora (atómica). Se fizermos um levantamento mais aprofundado do que os indivíduos que se dizem “contactados” transmitem, verifica-se que eles falam da preocupação desses seres ou dessas raças, que no fundo nunca nos deixaram sozinhos ao longo dos tempos e têm feito sentir as suas mensagens, com o intuito de alerta para esse último uso de uma energia tão destruidora que poderá por em causa a sobrevivência do nosso planeta, e de outros planetas nos confins do Universo, que poderiam explodir se a Terra se desintegrasse. No fundo, poderemos estar a pôr em perigo muitos biliões de outros seres que habitam noutros cantos do Universo. E aí há uma certa legitimidade nessa “ingerência” no nosso espaço e atmosfera, que tem ocorrido.
Qual pensa ser o objectivo dessas civilizações de uma forma geral ?
O objectivo de qualquer civilização deveria ser sempre informar e o pouco que se tem feito cá em Portugal não tem resultado em muita informação, contrariamente ao que vemos noutros países. Nas entrevistas que eu dei e de outros investigadores, em Portugal, não tenho visto preocupação em desinformar. Tenho até reparado, nas entrevistas que têm sido dadas dentro deste campo de investigação, que tem havido uma certa ética em não alterar aquilo que se diz durante as entrevistas. Por isso, cá em Portugal ainda estamos num cantinho muito previligiado a nível do pouco mas bom que se faz em matéria de investigação.
A um nível mais generalizado tem havido cada vez mais desinformação. É curioso verificar que se falou muito em Roswell, e de outros casos mundiais, mas a desinformação tem sido uma nota predominante. Esquecem-se dos primeiros relatórios do General Accounting Office, que é a procuradoria-geral da república (América do Norte), quando saíu o primeiro relatório sobre Roswell, em que desapareceu toda e qualquer correspondência entre 1945 e 1949 da 59ª esquadrilha de bombardeiros norte-americanos que estava sediada perto de Roswell. Era como se não existisse um único soldado raso dentro daquela base, porque qualquer instituição militar tem de ter a sua correspondência entre o aquartelamento em si e os serviços centrais. Toda e qualquer documentação desapareceu e até uma simples carta eles fizeram desaparecer durante esse período de tempo. Isto fez com que se apagasse qualquer vestígio, inclusive que essa base estivesse activa. Não nos podemos esquecer que a 59ª esquadrilha de bombardeiros dos Estados Unidos da América (EUA), foi a mesma que “deu à luz” o Enola Gay que lançou a bomba atómica sobre Hiroshima. Esta esquadrilha tinha os pilotos mais experimentados do Mundo e é curiosa a tentativa que se fez de camuflar algo de tão importante que aconteceu em Roswell como em tantos outros sítios.
Nestes casos, vai se dando sempre “uma no cravo e outra na ferradura”, ou seja, o pouco conhecido são os projectos governamentais e os biliões e biliões de dólares que têm sido gastos pelo Mundo fora com uma coisa de que negam a sua existência. A 2 de Abril de 1943 há um projecto britânico (Massey), outros se seguem na Alemanha, nos EUA (Grudge), em França (GEPIS) e o “Livro Azul”, entre muitos outros.
Se não existisse nada, se estivéssemos sozinhos no Universo, não tinhamos ainda hoje projectos em vigor... No fundo, há uma pressa terrível de dizer que não existem, mas, por outro lado, há uma vontade incrível de se aprofundar cada vez mais.
Não nos podemos esquecer ainda de um aspecto. De tanta desinformação que existe,
e falou-me ainda há bocado em publicações internacionais, houve uma coisa muito interessante que saíu na “UFO” (por acaso emprestei e fiquei sem a revista). É uma
das coisas mais fantásticas que aconteceram nos últimos tempos: a posição oficial do Governo da Rússia sobre os OVNIS. Numa conferência de imprensa de 5 de Fevereiro de 1997, dada na Academia Bandeira Vermelha (ABV), a cerca de 200 quilómetros de Moscovo (é uma academia de defesa anti-aérea do exército), estiveram um general encarregue da ABV, esteve também um representante político importante, o chefe dos serviços da KGB (general Yurkin), encarregue da contra-espionagem russa na Europa, e o general Reseptinov ?, entre outros.
Estas individualidades tomaram uma posição oficial, a mando governamental, onde declararam que os OVNIS existem e que também houve uma ingerência na vida civíl
e militar russa. Esta notícia saíu na CNN e no Discovery Channel. E também apareceu no nosso teletexto, passando despercebida como tantas outras. A declaração foi bombástica e não teve qualquer repercussão. Para se esconder um camião de rebuçados vai se dando um ou outro.
Depois, há afirmações fantásticas, retiradas da RTP Texto, de sábado 27 de Dezembro de 1997, na página 230, às 2h 07m e 40s, onde se dizia: “Rússia: OVNIS próximos da Estação MIR. O cosmonauta Alexander Baladrin afirmou que discos voadores se aproximam da Estação Orbital MIR e do Cosmódromo de Baikonur e que há dados suficientes para levar a cabo um estudo científico do fenómeno. Na Rússia temos provas claras, cabendo ao Governo reconhecer oficialmente a existência dos OVNIS. No primeiro Fórum Internacional de Ufólogos, realizado no Brasil, foi exibido um filme do cosmonauta russo que mostrava um objecto brilhante próximo da MIR”. Eu exibi recentemente estas imagens na Feira do Oculto. E elas têm a chancela do Governo russo.
Além disso, poderia citar mihares de afirmações, desde Einstein até directores do FBI ou de altíssimas personalidades de todos os meios, sobre estes fenómenos.